Canibais: A Selva Maldita (2024) tenta construir sua narrativa com uma estrutura simples e direta: um pequeno grupo de pessoas tentando sobreviver a um ambiente hostil e a uma tribo de canibais na selva. Dirigido por Howard J. Ford e estrelado por Joseph Millson, Sarah Alexandra Marks, David Wayman, Ella Starbuck e Louis James, o filme aposta em um terror de sobrevivência que, embora funcional em alguns momentos, sofre com limitações evidentes de roteiro e dramaticidade.
Desde o início, o filme tenta estabelecer o conflito entre dois personagens, mas como ambos são pouco desenvolvidos, isso acontece por meio de diálogos expositivos. Aliás, diálogos ruins marcam o filme inteiro e comprometem bastante a experiência. Os personagens são chatos, algumas atuações comprometem, falta carisma, e isso faz com que o espectador não se importe com o destino deles. O roteiro não consegue dar densidade suficiente ao grupo para torná-lo minimamente interessante.
Por outro lado, a fotografia e a ambientação são pontos fortes do filme, construindo um clima tenso e claustrofóbico que sustenta parte da proposta. A selva é retratada como um espaço opressivo, hostil e constantemente ameaçador, o que ajuda a manter a sensação de perigo. Em termos de atmosfera, o longa sabe explorar bem o isolamento e a vulnerabilidade dos personagens, algo que combina com sua estrutura de terror de sobrevivência.
Temos também cenas brutais, algumas com boas soluções práticas, mas outras nada convincentes. As coreografias das lutas são péssimas e enfraquecem os confrontos, que deveriam ser o motor principal do suspense. Em certos momentos, o filme parece não saber equilibrar o que quer mostrar com a forma como mostra, o que prejudica ainda mais a imersão. O resultado é irregular: quando funciona, a violência causa impacto; quando falha, soa artificial e até involuntariamente cômica.
Há pelo menos duas cenas patéticas que resumem bem os erros do longa: uma em que um dos protagonistas monta uma emboscada utilizando o celular e outra no final, quando obrigam as atrizes a rastejar pelo chão para simular a escalada de um abismo íngreme. São momentos que destoam completamente da tensão pretendida e acabam chamando atenção pelo constrangimento da encenação.
O filme lembra demais Inferno Verde, mas sem a mesma eficácia; e vale lembrar que Inferno Verde já está longe de ser uma obra-prima. Ainda assim, o contraste é inevitável, porque ambos partem de uma premissa de confronto entre civilização e selva, mas Canibais: A Selva Maldita não consegue transformar isso em algo igualmente perturbador ou memorável. Se a direção de Howard J. Ford acerta na ambientação, ela tropeça feio na condução das cenas de ação e no tratamento dos personagens.
No fim, temos um terror de sobrevivência descartável, mas que pode entreter tanto por suas qualidades quanto por seus defeitos risíveis. Canibais: A Selva Maldita (2024) é um filme irregular, com boas ideias de atmosfera e tensão, mas se sabotando por diálogos ruins, personagens sem carisma, coreografias fracas e cenas tão forçadas que acabam virando constrangedoramente engraçadas.
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