Uma família bizarra e disfuncional pode soar como um tema recorrente desde o sucesso de Parasita (2019). No entanto, a obra Rosebush Pruning, do cineasta cearense Karim Ainouz, consegue se sobressair nos quesitos bizarrice e disfuncionalidade, apresentando uma família excêntrica em cenas polêmicas, num roteiro bastante provocativo.
A tradução literal de Rosebush Pruning seria A Poda do Roseiral, um conceito criado pelo personagem Ed (Callum Turner) que prega a eliminação dos membros disfuncionais para preservar o todo, da mesma maneira como se poda um roseiral.
Levemente inspirado no filme De Punhos Cerrados (1965) de Marco Bellocchio, esta é uma versão desagradável e sórdida com personagens “inspirados pelos monstros que nos cercam”, conforme afirmou Ainouz, durante o recente Festival do Rio, onde ocorreu a primeira exibição do filme no Brasil. Com roteiro do grego Efthimis Filippou (Dente Canino e O Sacrifício do Cervo Sagrado), o diretor cearense realiza seu segundo filme de língua inglesa; o primeiro foi O Jogo da Raínha. Trata-se de uma co-produção entre o Reino Unido, Itália, Alemanha e Espanha.
A história desta família americana radicada na Espanha mostra que eles não se relacionam com as pessoas nem com a cultura local. A maravilhosa mansão modernista onde vivem fica no alto de uma colina na Catalunha, tal qual uma hipotética morada dos deuses do Olimpo. A paisagem também é estupenda.
Tudo isso contrasta com o monstruoso domínio do pai sobre os filhos que, tal qual na mitologia grega, comanda de forma simbiótica, e até incestuosa, seus destinos. Os relacionamentos entre os irmãos e a irmã também são repletos de insinuações e provocações repulsivas. Sátira dos muito ricos? Pode ser. Mas também ocorre ali muito do absurdo do surrealismo, com pitadas de terror.
Dirigido por Karim Ainouz
Elenco: Elle Fanning, Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Lucas Gage, Pamela Anderson e Tracy Letts.
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