Multidão eufórica em Caracas, na Venezuela, pelo retorno de María Corina Machado

Politicas e Sociais

A rodovia Valle-Coche deixou de ser uma via expressa neste domingo para se transformar em um mar de gente. Centenas de pessoas lotaram os acessos ao sul de Caracas com buzinas, cartazes e bandeiras do país para esperar María Corina Machado, após meses fora do território nacional, segundo informou no local o jornal digital El Pitazo.

Machado, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em Oslo em dezembro passado, já havia tentado voltar sem sucesso mais de sete vezes por causa de entraves operacionais e proibições do governo. Seu retorno começou horas antes, com uma parada surpresa no santuário de Santa Rosa, no estado de Lara, e terminou perto da meia-noite em Caracas, após uma viagem de carro que passou por Yaracuy, Carabobo e Aragua.

A espera na capital durou mais de seis horas. “Não vamos embora até vê-la, porque ela vai ser a presidente da Venezuela”, disse Karina Castillo ao El Pitazo. Entre gritos de “liberdade” e “eleições já”, o público também cantava o tradicional “se vê, se sente”, enquanto tocavam músicas marcantes da oposição.

Paula Ramírez, que também estava no local, afirmou que a chegada traz uma fase de “coisas boas”. Outros relatos anônimos comparavam a emoção do momento com o dia 3 de janeiro, data em que tropas norte-americanas capturaram Nicolás Maduro. “Em 3 de janeiro não pude comemorar, mas agora nós podemos”, desabafou um cidadão na rodovia.

Às 22h19, fogos de artifício romperam a espera na Valle-Coche. Dez minutos depois, entre o barulho das buzinas e o hino nacional cantado à capela, o comboio abriu caminho pelo meio da multidão. Machado acenou rapidamente para o público, marcando na rua um retorno que promete mexer com a transição venezuelana.

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