Segundo filme do cineasta iraniano Asghar Farhadi rodado na França, Contos Paralelos (2026) é uma obra com várias camadas a partir de um roteiro que suscita questionamentos.
Premiado com dois Oscars de Melhor Filme Internacional – por A Separação (2011) e O Apartamento (2016) – Farhadi, desta vez, se inspira no sexto episódio do Decálogo (1989), de Krysztof Kieslowski e Krysztof Piesiewicz, depois transformado no longa Não Amarás (1988).
Com o carisma de sempre, Isabelle Huppert interpreta a solitária escritora Sylvie, num papel que faz referência ao A Professora de Piano (2001), de Michael Haneke, grande sucesso da atriz como a professora Erika. Fumante inveterada, ela usa uma máquina de escrever antiga e vive isolada em seu apartamento com suas idiossincracias.
Ela tenta escrever um livro e mistura a história de sua família com fantasias a respeito das pessoas que trabalham no apartamento que pertenceu a seus pais, tudo isso com a ajuda de um telescópio.
Por isso, não é exagero afirma que a película também lembra filmes que tem o voyeurismo como tema. Assim, não podemos esquecer de Janela Indiscreta (1955), de Alfred Hitchcock, e Dublê de Corpo (1984), de Brian de Palma.
O diretor optou pelo visual escurecido que parece ser uma tendência do cinema atual. Essa opção pode ser realizada por meio da iluminação opaca e da paleta de cores idem, e serve para aprofundar determinadas emoções e sentimentos. Neste longa, Farhadi usou também o clima chuvoso e várias cenas no metrô de Paris. Outro elemento presente em Contos Paralelos são as telas de televisão e de cinema, sempre frequentes na atualidade.
Mas o voyeurismo é o mote mais constante, e, no final, até mesmo a pessoa que estava sendo espionada passa a espionar. O triângulo amoroso imaginado por Sylvie se interlaça com outro da “vida real”, quando o misterioso Adam (Adam Bessa) passa a trabalhar na casa de Sylvie e tenta interferir na vida das pessoas que a escritora espiona e fantasia.
Há ainda uma remota, porém contundente, alusão a Esse Obscuro Objeto do Desejo (1977), de Luís Buñuel, pelo surrealismo da trama em que a atriz belga Virginie Efira vive o duplo papel de Anna/ Nita e surge ora morena ora loira.
Destaque também para a curta participação especial da musa Catherine Deneuve como Céline, a editora de Sylvie.
O filme entra em cartaz no cinema em 12/11/2026.
Elenco: Virginie Efira, Isabelle Huppert, Catherine Deneuve, Vincent Cassel, Adam Bessa, India Hair e Pierre Niney.
Direção: Asghar Farhadi
Roteiro: Asghar Farhadi, Saeed Farhadi e Krzysztof Kieślowski (inspiração Decálogo: Seis)
Produção: Alexandre Mallet-Guy
Direção de Fotografia: Guillaume Deffontaines
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