Ganhar prêmio é muito bom. Quem não gosta? Criticar quem ganha passa como despeito. O ganhador que recebe aplausos de outras estrelas mundiais tem mais do que 15 minutos de fama. São segundos de reconhecimento que duram toda a vida.
O aplauso de um auditório é quase tão bom quanto sexo, como disse um diretor brasileiro de teatro. É o momento que um ator pode se sentir um Roberto Carlos, um Caetano Veloso ou uma Maria Betânia. Imaginem o quanto isso é viciante.
Fez bem o presidente do Brasil em já comemorar com atores e diretores as quatro indicações do Agente Secreto ao Oscar com o diretor Kleber Mendonça, o ator Wagner Moura. Ainda tem o diretor de fotografia brasileiro do belo Sonhos de Trem (e nem é de Minas).
Nos Estados Unidos costumam registrar e colocar no currículo quando o filme é indicado, ou nominee. Aqui, frequentemente os segundos, terceiros colocados são considerados derrotados e ponto final. Quinto então nem se fala.
É bom rever esse preconceito. Nominee já é bastante coisa. Passou numa peneira em que entraram concorrentes do mundo inteiro, centenas.
Não que o Óscar e o Nobel sejam certificados definitivos de qualidade e bom gosto. Tantos bons ficaram de fora, quantos tantos discutíveis entraram. Assim como o gosto deles nem sempre combina com o nosso, há que se considerar Cannes, Bafta , Cesar, Veneza, Berlim em se tratando de cinema.
O prêmio de Hollywood é importante porque é a principal indústria mundial de cinema, portanto maior vitrine. Mas, evidentemente, é focado na produção americana ou, quando muito, a falada em língua inglesa. Não é surpresa que Pecadores tenha recebido 16 indicações. A Academia, como a sociedade americana, tenta pagar uma dívida impagável com o passado e o presente racista. Além é claro de reconhecer bons trabalhos do ator Michael B Jordan, que se desdobra no papel de gêmeo de si mesmo.
As 16 indicações superam as 14 de La La Land, uma bobaginha açucarada. Só para mostrar que não é parâmetro para nada. O recurso aos zumbis no filme me pareceu um flerte desnecessário com o público adolescente. Mas é o diretor de Wakanda, um Star Wars com atores negros, sucesso de bilheteria. Nada a ver com os Panteras Negras dos anos 60.
O Agente Secreto não precisa investigar muito para saber essas coisas. Kleber Mendonça fez uma seleção de elenco de tipos brasileiros inesquecíveis, o pistoleiro de aluguel é perfeito, dá medo até para quem tá na poltrona. Tânia Maria é a perfeita “muié séria”, da música A volta da Asa Branca, de Luiz Gonzaga.
Os delegados burocratas são perfeitos. O empresário perseguidor corresponde aos que atuaram e se aliaram ao governo militar. E a perna cabeluda é uma alegoria engraçadíssima às assombrações da época. Merece o prêmio de casting, que vai estrear. Poderia levar outros ainda, mas não tenham ilusões. O prêmio é americano. O Agente já levou Cannes, o Globo de Ouro, Critics Choice (Escolha dos críticos americanos), Hollywood Reporter, Festivais de Florida, Santiago, Lima, Ufa! O Oscar é só mais um. Claro que com aplauso das estrelas de Hollywood ficará ainda melhor que cereja de bolo.
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