País criticado por suposta censura religiosa na verdade mantém controle por passado sangrento, promovido por liderança autoproclamada cristã
Constantemente acusada pelo ocidente de promover o controle e perseguição cristã, a China carrega em sua história um passado sombrio no qual o responsável foi um líder poderoso que se apresentava como um verdadeiro cristão. Trata-se de um homem que se dizia irmão de Jesus Cristo, criando uma seita que mais tarde se tornaria o seu exército, com cerca de 1 milhão de integrantes.
Chamada de Rebelião Taiping, este acontecimento foi uma guerra civil sendo o responsável pela carnificina Hong Xiuquan, um professor no ano de 1851.
Após ser reprovado por 4 vezes no exame imperial de sua época, Xiuquan teve uma “visão”, levando-o a crer que ele era de fato o irmão mais novo de Jesus e por isto, havia sido enviado a terra por Deus para promover a purificação da China.

Imagem: figura com aparência real mais próxima de Hong
Muitos camponeses que viviam em condições sub-humanas compraram a ideia e se juntaram ao homem que prometia terra, comida e um “reino celestial”. Em poucos anos, Hong conseguiu formar um exército de mais de 1 milhão de soldados.
Chamado de “Reino Celestial da Grande Paz” (Taiping Tianguo), o grande grupo dominou por cerca de 14 anos o território chinês, criou sua moeda própria, instituiu como capital a cidade de Nanjing e levantou a sua própria força militar.
Tragédia anunciada
O grande conflito no qual resultou no número gigantesco de vítimas aconteceu entre os anos de 1850 a 1864, contra a Dinastia Quing. Para efeito de comparação, a primeira guerra vitimou cerca de 17 milhões de pessoas, ante 30 do caso chinês.
Hong Xiuquan faleceu no ano de 1864, mas não se sabe de fato a sua causa, cogitando-se o suicídi0. Após o acontecimento, a cidade de Nanjing foi reconquistada e o “Reino Celestial” teve o seu fim decretado. Porém a tragédia ficou marcada gerando consequências até hoje, que a China moderna carrega.

Lições aprendidas com o fundamentalismo
Diferente de alegações sob censura, a China faz o controle na promoção das religiões em seu território, o que não significa que haja proibição ou perseguição. Como prova existem inúmeros locais para a prática da Fé como templos católicos, evangélicos, islâmicos, protestantes, budistas dentre outros.
Outro ponto importante é a permissão de leitura bíblica em locais públicos desde que de forma pessoal, sendo vedado a imposição aberta como acontece no Brasil com abordagem de pessoas, onde que apesar de sua Constituição Federal no qual diz que o Estado é Laico, há claramente persuasão para fins de poder político com envolvimento financeiro e sustentação de grandes lideranças tidas como religiosas, que influenciam diretamente a governabilidade do país.

Foto: fiéis chineses rezam durante missa em igreja católica
Taiping é um acontecimento grave marcado na história de vida dos chineses, diante de um falso profeta que utilizou a Fé para impôr a sua vontade e a de seus seguidores, algo que a China tenta fazer a história não se repetir.
Referência bibliográfica
O livro “Filho chinês de Deus – O Reino Celestial de Taiping de Hong de Xiuquan” – do historiador sinologista e autor norte-americano Jonathan Spence – detalha o acontecimento sob a perspectiva ocidental, reconhecendo a autodefesa chinesa e se mostrando uma recomendável leitura.
![]()

