Trabalhadoras de porta em porta vão além de sua função comum ajudando idosos que vivem sozinhos
O Japão tem uma das menores taxas de natalidade do mundo, resultando também em uma das maiores populações idosas do planeta. O governo de tempos em tempos tenta amenizar a situação, com soluções que até agora não se mostraram eficazes. Porém, uma medida fora das autoridades do país tem chamado atenção.
Imagine um cenário: o relógio marca 8:30 da manhã em um dia comum e o tempo está quente, ensolarado. Uma mulher protegida com os seus óculos de sol durante o rigoroso verão japonês durante o seu trabalho estaciona a sua bicicleta e bate na porta de uma pequena residência feita em boa parte com madeira, decorada com vasos de plantas ao seu redor.
Dentro da casa uma idosa aguarda a sua chegada. A dona do lar abre um sorriso assim que a trabalhadora adentra ao local. A mulher que chegou veste um terno e é conhecida como uma Yakult Lady – A moça do Yakult.
O conhecido leite fermentado dos brasileiros gere várias funcionarias de porta a porta no Japão, que de forma oficial são entregadoras mas prestam uma espécie de “assistência social” para auxiliar no problema que insiste em não ir embora.
Por lá a bebida foi lançada no início dos anos 90 e após um bom tempo passou a ser chamada de bebida “microbiota”, devido a sua já revelada composição.
No Brasil as “moças do Yakult” eram mais comuns nos anos 70 e 80 mas atualmente, ainda se vê atuante em muito locais. Mas somente na terra do sol nascente elas prestam esta “dupla jornada”.
O projeto e seu início
Curiosamente esta iniciativa começou por um acaso. O produto lançado no ano longínquo de 1935 tinha uma má fama por ligar a ideia de “beber bactérias”, colocando um pensamento de ficar doente ao invés de saudável. Para isto, a empresa se viu na necessidade de colocar os vendedores para explicar aos seus potenciais clientes do que se tratava realmente.
Neste período o quadro era composto majoritariamente por homens, onde que devido a falta de mão de obra levou aos contratantes recrutar mulheres para o serviço, moradoras de suas comunidades. Muitas eram conhecidas dos possíveis clientes, gerando uma maior confiança.
Após ver subir as vendas, em 1963 a Yakult estabeleceu uma “Rede de Vendas por entrega das Mulheres”, onde atualmente vingou o título de Moças do Yakult.. O uniforme consiste em um uniforme azul e acabamento em xadrez vermelho com o crachá, ficando fácil a sua identificação. Costumam andar de bicicleta, moto, carro ou até mesmo a pé, efetuando diversas entregas.
“Faço entregas as segundas, terças, quintas e sextas”- diz Satoko Furuhata, que trabalha no ramo há 25 anos.

Grande parte delas trabalha de forma autônoma, e muitas criam um vínculo afetivo com clientes, devido ao tratamento que se dá. Furuhata inicia o seu dias as 8:30 da manhã:
“Tenho rotas diferentes a cada dia, mas visito cerca de 40 a 45 residências diariamente” – afirma.
Entre as visitas, a entregadora visita as segundas uma mesma cliente desde que iniciou a sua jornada. O local que a idosa de 83 anos mora fica em Maebashi, cerca de 160 quilômetros ao noroeste de Tóquio.
“Saber que alguém virá com certeza ver o meu rosto toda semana, é um verdadeiro conforto – declara a cliente que prefere ficar no anonimato.”Mesmo nos dias em que eu não me sinto bem, ouvi-la perguntar como você está na porta de casa me dá forças! Segunda-feira é o meu dia de carregamento de energia!” – ela conta.
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