O título A Pior Pessoa do Mundo é irônico e jocoso. Afinal, a protagonista Julie é uma mulher jovem, bonita, inteligente e dificilmente poderia ser considerada a pior pessoa do mundo. O nome do filme é, na verdade, uma tradução da frase Verdens verste menneske, usada comumente na Noruega para expressar autodepreciação quando a pessoa sente que falhou em pequenas tarefas ou tomou decisões egoístas.
A história reflete o drama da geração chamada Millenials, com muitas opções a sua frente e os tropeços inevitáveis no processo de amadurecimento. Algumas das decisões de Julie acabam magoando as pessoas que encontra pelo caminho e, por isso, ela se sente a pior pessoa do mundo.
Este é o quinto filme de Joachim Trier, parente distante do também cineasta Lars Von Trier, mas com estilo bastante diferente deste. Trier nasceu em 1974, em Copenhague, na Dinamarca, e foi criado em Oslo, na Noruega, onde desenvolveu sua carreira a partir do ano 2000. Tem uma filmografia dedicada a temas existenciais e intimistas, com foco em relações familiares.
A comédia dramática A Pior Pessoa do Mundo faz parte da chamada “Trilogia de Oslo”, que também é composta por Começar de Novo (2006) e Oslo, 31 de Agosto (2011).
Nesta obra, acompanhamos Julie por quatro anos, período em que ela chega aos 30. A personagem se sente perdida em suas escolhas sobre carreira e relacionamentos, mudando de rumo e opinião sobre esses assuntos diversas vezes.
Julie é vivida pela atriz norueguesa Renate Reinsve, numa interpretação vulnerável e, ao mesmo tempo, visceral. Renate está magnífica ao mostrar uma Julie em crise e indecisa. Ela consegue transmitir seus dilemas e a sensação de inadequação ao sentir que está sempre falhando consigo mesma e com os outros.
A Pior Pessoa do Mundo tem uma sequência de cenas em que Trier prima pela criatividade ao fazer o tempo literalmente parar enquanto Julie tem um devaneio prolongado. Simplesmente genial.
E a cereja do bolo acontece no final do filme quando há uma conhecida música brasileira cantada em inglês por ninguém menos que Art Garfunkel, da dupla Simon e Garfunkel.
O filme foi sucesso de crítica e Renate Reinsve recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes em 2021 por esse papel. Ela é a primeira atriz norueguesa a vencer em Cannes. Reinsve também foi indicada ao BAFTA tanto por A Pior Pessoa do Mundo como pelo premiado Valor Sentimental (2025), também de Trier. Assim, ela repete o feito de sua compatriota, a atriz Liv Ullmann, que foi indicada ao BAFTA por Cenas de Um Casamento (1976) e Face a Face (1977), ambos de Ingmar Bergman.
Vale lembrar que Valor Sentimental levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e o BAFTA de Melhor Filme de Língua Não Inglesa, em 2026.
No elenco temos ainda Anders Danielsen Lie, Herbert Nordrum, Hans Olav Brenner e Maria Grazia Di Meo.
A Pior Pessoa do Mundo está disponível na Prime Vídeo.
![]()


Esse filme parece ser interessante, Beatriz. Não sei se você assistiu o filme americano “Frances Ha”, que tem um tema parecido. É sobre uma mulher jovem que está perdida, ela não sabe o caminho que seguirá na vida. Se não viu, recomendo que você veja. Parabéns pela resenha!
Já vi há muito tempo! Não lembro! Obrigada pelo comentário!
Esse filme eu não vi mas pela sua crítica me parece bem interessante. Bia parabéns pela sua análise, vou ver e depois comento o que achei.
Eu assisti no cinema quando foi lançado, gostei muito da sua crítica. Parabéns!
Sempre vi esse filme como catalisador dos anseios dos millenials. Mas diferente do detestável 500 Dias com Ela, aqui a idealização é melhor trabalhada e o drama não soa piegas. Parabéns, Bia.
Esse filme parece ser super atual mesmo! Obrigada pela excelente explicação, sempre ampliando minha jornada de conhecimento através dos filmes. Vou assistir!
O filme gira em torno da personagem da atriz Renate Reinsve que apresenta um trabalho vigoroso que capta o espectador na tela.
Um bom trabalho no diretor Joachim Trier que também dirigiu Valor Sentimental, alguém a estarmos atento ao seus próximos trabalhos.