Análise “Um Zé Ninguém Contra Putin” (2025)

Critica de Filmes Documentário Politicas e Sociais

Diz o ditado que na guerra a primeira vítima é a verdade. Mas os fotógrafos e documentaristas sempre tiveram papel fundamental para salvá-la. Foi assim quando registraram as imagens dos campos de concentração da Segunda Guerra. E nos horrores do Vietnã.

Nos conflitos atuais, da Rússia contra a Ucrânia ou no Oriente Médio, a guerra da propaganda é tão intensa quanto a que acontece no chão. Na tranquilidade do sofá de casa, no serviço Prime Video, é possível, porém, assistir e pensar sobre o documentário “Um Zé Ninguém contra Putin”. Pode-se afirmar que o Oscar premiou um filme com o ponto de vista americano. Não há como negar. É impossível, porém, deixar de simpatizar com o jovem professor Pavel e negar as imagens que ele grava em sua pequena e feia cidade de Karabash.

Mais próxima da fronteira do Cazaquistão do que de Moscou, encrustada nos Montes Urais, a cidade foi considerada uma das mais poluídas do mundo, por causa da indústria do cobre, que a sustenta.

Filho da bibliotecária da cidade, Pavel dá aulas na escola primária local. E alimenta em sua sala um clima de liberdade e criatividade para grupos de alunos. Além disso é também responsável pelas gravações de vídeos na escola, o que lhe permite liberdade de circulação e filmagem.

Até que começa a invasão da Ucrânia, ou como anuncia Putin pela televisão a “operação especial” de apoio às regiões da Ucrânia mais próximas à Rússia.  

Para a escola onde Pavel ensina, o início em 2022 da guerra provoca uma total mudança de rotina. 

Os professores começam a recitar propagandas do governo, alunos recebem roteiros de apoio ao regime para lerem em sala de aula. As turmas aprendem a marchar, cantar hinos e homenagear a bandeira do país, diariamente.

Alguns dos mestres mais entusiasmados com o novo momento ensinam nas suas aulas que as crianças precisam identificar traidores entre os colegas que manifestarem opiniões contrárias ao regime.

Mesmo feia e poluída, Pavel declara amor à sua cidade, ao frio que chega a 45 graus negativos e aos alunos que viu crescer. Mas eles começam a ir para a guerra. E a morrer, jovens saindo da adolescência.

Filmar na cidade começa a ficar mais difícil e sua fama de rebelde se espalha. Consegue gravar cenas que não seriam divulgadas dentro da Rússia. E sua única saída é deixar o país. Não é spoiler, porque a cena está no início do filme.

Dirigido por Pavel Talankin e David Borenstein

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