Estamos à véspera da Copa do Mundo de 2026, que será realizada simultaneamente nos Estados Unidos, Canadá e México. Minha expectativa é muito baixa, em razão do fraco desempenho do escrete do Carlo Ancelotti, e vejo isso se refletir na maioria da população brasileira. Porém, essa Copa me traz algo novo, que me deixa ao mesmo tempo curioso e preocupado: será a primeira que minha filha mais nova irá acompanhar.
Em 2014, vi meu filho mais velho assistindo à sua primeira Copa do Mundo. Ver seu rosto estampado de frustração e revolta pelo massacre imposto pela implacável seleção alemã foi inevitável viajar no tempo e relembrar a minha própria primeira Copa. Voltei à Espanha de 1982, onde, ainda menino como meu filho, vi uma seleção fantástica, comandada pelo mestre Telê Santana e recheada de craques como Júnior, Falcão, Sócrates e Zico. Eles jogavam um futebol bonito, envolvente e aparentemente imbatível. Até que chegou a fatídica “Batalha de Sarriá”, com a trágica e inesperada derrota para a Itália — uma eliminação precoce em uma Copa onde o mundo inteiro já proclamava o Brasil como virtual campeão.
Depois dessa Copa, muitas outras vieram, mas em nenhuma senti uma emoção tão profunda quanto pela equipe de 82.
Na Copa de 2014, porém, fui surpreendido por um sentimento que até então não havia experimentado pela Seleção Brasileira: vergonha!
Depois dessa reflexão, posso afirmar que aquela seleção de 2014 não me representa. A minha seleção é a de 82!
Sim, a seleção de 82 não foi campeã, mas é motivo de orgulho e alegria, porque até hoje é lembrada, admirada e reverenciada pelo futebol mágico que praticava.
O time de 82 me representa muito mais que a pragmática seleção campeã de 1994, de Dunga, Romário e Parreira, e até que a seleção também campeã de 2002, de Ronaldo, Rivaldo e do mesmo Felipão do vexame dos 7 a 1 diante da Alemanha.
Por isso, desejo que um dia — quem sabe na própria Copa deste ano — retornemos a honrar a tradição do nosso futebol, e que minha filha e meu filho possam, como eu, sentir orgulho, paixão, encantamento e saudade de uma seleção, mesmo que ela não seja vitoriosa.
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Parabéns pela matéria.