Análise “O Diabo Veste Prada 2” (2026)

Critica de Filmes

O Diabo dos tempos digitais rói a roupa Prada

Uma das virtudes de O Diabo veste Prada 2 é situar o filme nos tempos atuais de crise de jornalismo e da imprensa.  

Não foram necessárias as fogueiras de “Fahrenheit 451” (François Truffaut, 1966), as ondas digitais estão fazendo o trabalho de destruir os impressos de papel.

Jornalistas, como no início do novo “O diabo”, são demitidos aos magotes. Jornais, revistas, livrarias fecham as portas.

Na versão atual, a revista Runway, inspirada na Vogue, está com os dias contados.

Um milionário da internet aparece para comprá-la. Referência ao diário Washington Post. adquirido por Jeff Bezos, dono da Amazon, em 2013.

Ele se transfigura no filme numa caricatura de Elon Musk, discursando sobre a vida em Marte. 

Diante do afresco da Santa Ceia, de Michelangelo, em Milão, o possível comprador declara que tanto a revista, quanto a arte, os clássicos estão sendo devorados pelos tempos modernos, “como a lava do vulcão Vesúvio devorou Pompéia”.

A editora da revista Miranda, interpretada por Meryl Streep, retira-se da conversa e sai para uma caminhada silenciosa pelos mármores da Galeria Vittorio Emanuele, onde estão as principais lojas de alta costura italianas.

Inspirada na editora da Vogue, Anne Winthour, que deixou o cargo em 2025, Miranda perde o protagonismo no “Diabo 2” para sua estagiária do filme original, Andy (Anne Hathaway), transformada numa heroica defensora do jornalismo investigativo e da revista Runway, ameaçada de extinção.

O lançamento da sequência do Diabo Veste Prada em Hollywood mereceu super cobertura da imprensa com direito a tapete vermelho.

Críticos e fãs comemoraram a reunião do elenco, 20 anos depois, incluindo o assistente da editora Nigel, (Stanley Tucci) e pontas luxuosas do britânico Kenneth Branagh, como marido de Miranda.

Reconciliada com sua ex-estagiária, Merryl Streep não perde a antipatia. As antigas assistentes, agora profissionais quarentonas, eram apelidadas todas de Emilys, cutucada na ambiciosa protagonista da série “Emily in Paris” (Netflix).

A trajetória da revista Vogue está retratada no streaming da Disney+. A época áurea das revistas de moda femininas pode ser vista também no documentário “As supermodelos”, da Apple TV.

Aqui no Brasil, a Vogue continua circulando, com participação do Grupo Globo. Fecharam Cláudia, Cosmopolitan, Elle, do grupo Abril. Sem falar de tantas outras revistas masculinas ou semanais que fecharam as portas ou ficaram irrelevantes.

O mundo dos impressos deixou pouco espaço para happy ends, como no filme.

Dirigido por David Frankel, no elenco também tem Emily Blunt, Lucy Liu, Simone Ashley, Justin Theroux, B.J. Novak, Lady Gaga, Caleb Hearon, Tracie Thoms, Tibor Feldman, Pauline Chalamet, Conrad Ricamora, Rachel Bloom, Pratick Brammall.

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