Do experimental, reflexivo e metafórico, essa é mais uma obra-prima de Ingmar Bergman para dó no cérebro e ficar na mente por vários dias.
A Hora do Lobo, esse filme sueco é um terror psicológico misturado com drama, em que Bergman faz uma obra aberta a interpretações, ao estilo de filmes como por exemplo, Midsommar – O Mal Não Espera a Noite, O Farol, A Bruxa, As Boas Maneiras, Speak no Evil, Pi, Melancolia, A Casa que Jack Construiu, Limite.
O filme faz uma referência ao comportamento humano, ao isolamento, angustias, desafio pessoal, controle mental.
O pintor Johan (Max Von Sydow) fazendo um alter ego do próprio Bergman construindo uma narrativa das mais loucas e inteligentes, Johan vai para uma ilha isolada com sua esposa Alma (Liv Ullmann) que está gravida. Nessa ilha Johan é consumido por demônios interiores, passando por situações que já mexe com telespectador que fica pensando entre o real e o imaginário.
Para entendermos melhor, A hora do Lobo se refere ao periodo entre a meia-noite e o amanhecer, considerado o momento mais escuro e profundo da noite, e nesse ciclo do dia que Johan vai enfrentar seus pesadelos e alucinações, e sua esposa Alma vai tentar ajudar ele.
Pessoas vão confrontar Johan o filme inteiro mexendo com estado de espirito dele e quebrando o silêncio, jantares, conflitos pessoais, ao estilo de um filme de Lars Von Trier.
Um ato insano e provocativo que faz o telespectador ficar pensando e observando muito e querer absolver essa boa obra mentalmente distópica.
O filme é marcado por muitos diálogos, muitos para reflexão, como por exemplo o do final da personagem Alma que questiona se uma mulher ficar um longo tempo com um homem, se ela se torna esse homem, esse é mais um dos momentos surreal da obra fantástica que esse filme nos leva a absolver.
Nesse filme impactante que além da ótima história cheia de mensagens subliminares impactantes, também tem um conjunto magistral de qualidade, ótimas atuação de Max Von Sydow e Liv Ullmann, a maravilhosa direção expressionista do Ingmar Bergman aliada a fotografia esplendida e talentosa de Sven Nykvist com uma estética visual fascinante e jogo de sombras, realizando uma fotografia em preto e branco usando a luz para simbolizar o inconsciente, planos incríveis de enquadramentos, destacando principalmente os close-ups, a câmera no rosto feito de uma maneira bem característica de Bergman, e pra completar tem uma excelente trilha sonora composta por Lars Johan Werle, fazendo bem o clima de terror psicológico.
Cinema obrigatório e necessário para os amantes da sétima arte, o filme é mais um importante para estudos cinematográficos, assim como a maioria da obra de Ingmar Bergman.
No elenco também tem Erland Josephson, Ingrid Thulin, Georg Rydeberg, Gertrud Fridh, Naima Wifstrand, Ulf Johanson, Gudrun Brost.
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Filmaço! É um dos meus preferidos do Bergman! No seu texto você citou o Lars von Trier. Ele é um discípulo do Bergman, por isso os filmes dele sempre têm algo de profundamente trágico em sua concepção. Parabéns pela resenha, André!