Adoniran Barbosa (nome artístico de João Rubinato) foi um dos maiores nomes da música popular brasileira, consagrado internacionalmente como o “Pai do samba paulista”. Nascido em Valinhos em 6 de agosto de 1910 e falecido em 23 de novembro de 1982, ele atuou como cantor, compositor, comediante e ator. Sua grande marca registrada foi retratar o cotidiano das classes populares e dos imigrantes em São Paulo utilizando o dialeto ítalo-paulista de bairros tradicionais.
Adoniran Barbosa começou oficialmente sua carreira artística em 1933 quando ainda se apresentava com seu nome de batismo, João Rubinato.
Em 1932, aos 22 anos, João Rubinato mudou-se para a cidade de São Paulo. Antes de viver da arte, trabalhou em diversos ofícios humildes: foi entregador de marmitas, tecelão, pintor, encanador e vendedor de tecidos na famosa Rua 25 de Março. Apaixonado pela música, Adoniram começou a se inscrever em programas de calouros na capital. Mas, no início ele foi reprovado inúmeras vezes.
E em 1933, Adoniran finalmente conseguiu: Ele foi aprovado no programa de Jorge Amaral na Rádio Cruzeiro do Sul interpretando o samba “Filosofia”, de Noel Rosa. Pelo bom desempenho, conquistou seu primeiro contrato profissional para um programa semanal de 15 minutos. Em 1935, ele decidiu adotar o nome Adoniran Barbosa. “Adoniran” veio do nome de um de seus melhores amigos (ou de um nome citado por um locutor que ele achou interessante) e “Barbosa” foi uma homenagem direta ao seu grande ídolo da época, o sambista Luiz Barbosa.
Em 1934, emplacou seu primeiro grande êxito como compositor com a marcha carnavalesca “Dona Boa” (parceria com J. Aimberê), que venceu o concurso oficial de Carnaval promovido pela Prefeitura de São Paulo.
Adoniran queria ser conhecido como cantor, mas ganhou muita fama nas décadas de 1930 e 1940 como ator cômico e locutor. Ele mudou para a Rádio Record em 1941 e criou personagens icônicos na rádio (Como o malandro Charutinho e Zé Cunversa), personagens criados pelo roteirista Osvaldo Moles. Esse sucesso na comédia e na voz caricata abriu caminho para que ele na década de 1950 finalmente explodisse nacionalmente como o grande compositor de samba que conhecemos hoje.
O legado musical de Adoniram é imenso e ganhou vida principalmente pelas interpretações marcantes do conjunto Demônios da Garoa e de cantores como Elis Regina. Músicas como: “Trem das Onze“, “Saudosa Maloca”, “Samba do Arnesto” e “Tiro ao Álvaro”.
Ele misturava o português formal com o linguajar caipira e o sotaque dos imigrantes italianos do Brás, Bixiga e Mooca. Ficou eternizado na cultura nacional usando sempre seu chapéu de feltro, terno e gravata borboleta.
Vou citar alguns sucessos dele nos cinemas e também na televisão:
No cinema, atuou em clássicos do cinema nacional como O Cangaceiro (1953) e Candinho (1954), este último ao lado de Mazzaropi. E na televisão participou de novelas de grande sucesso da época, como A primeira versão de Mulheres de Areia de 1973 na TV Tupi.
Boêmio convicto e dono de uma mesa cativa no tradicional Bar Brahma, Adoniran passou seus últimos anos triste porque já não reconhecia a São Paulo que tanto amava. Ele costumava dizer que o progresso havia destruído a essência poética dos bairros e que só via “carros e cimento armado”.
Apesar da importância gigantesca de suas obras, Adoniran nasceu e morreu pobre. No momento exato de sua morte, no quarto do hospital, estavam presentes apenas sua segunda esposa, Matilde Luttif, e a cunhada. Matilde declarou na época que ele “morreu como um passarinho”, de forma bem serena.
O final dos anos 1970 havia sido muito difícil e de esquecimento na mídia. Sua carreira ganhou um último fôlego emocionante em 1980, quando gravou a faixa “Tiro ao Álvaro” dividindo os microfones com Elis Regina, o que trouxe o seu nome de volta aos holofotes pouco antes de partir.
A sua última aparição pública marcante aconteceu no Carnaval de 1982, meses antes de falecer, desfilando como destaque na escola de samba Colorados do Brás, uma despedida perfeita no bairro que ele tanto imortalizou em suas letras. Adoniran Barbosa morreu no dia 23 de novembro de 1982, aos 72 anos, vítima de um enfisema pulmonar. Ele passou seus últimos dias internado no Hospital São Luiz, na cidade de São Paulo, tratando de sérios problemas respiratórios decorrentes da doença.
Eu particularmente cresci ouvindo Adoniran Barbosa, Elis Regina, Demônios da Garoa, devido aos meus pais. E para mim, uma fã desses grandes mestres o maior legado que eles deixaram para nós foi a música. “Tiro ao Álvaro” é uma das minhas músicas favoritas tanto da Elis Regina quanto de Adoniran Barbosa. “De tanto levar flechada do teu olhar, meu peito até… Parece sabe o que… Alvo… De tiro ao Álvaro”.
![]()
