Antes de falar sobre o filme propriamente dito, é importante mencionar o quanto, ao ver o depoimento de Anelis Assumpção, filha do saudoso cantor e compositor paulista, Itamar Assumpção (1949-2003), me chamou a atenção, ao ressaltar o fato de que seu pai, “não conseguia, de fato, levar sua música ou se comunicar com o público negro”. Detalhe: numa rara imagem de arquivo, extraída de um show de Itamar, realizado em São Paulo nos anos 80, realmente dá pra ver que, simplesmente, não há um único fã negro, presente na platéia.
Na minha opinião, isso se deve ao fato de que, as populações periféricas (em boa parte, compostas por indivíduos negros ou pardos), são, constantemente, bombardeadas por lixo pasteurizado em forma de “música”, o que, evidentemente, as distancia de artistas, como Itamar Assumpção, por exemplo, que, verdadeiramente, têm o que dizer a tais populações. E, ao ver que nada mudou, ou pior, só se agravou nesse sentido, desde a época do grande e “maldito” artista paulista, me deixa bastante desesperançoso em relação a significativas mudanças.
Mas, agora falando sobre o filme propriamente dito, dirigido por Betão Aguiar, filho do célebre Paulinho Boca de Cantor (ex- membro dos “Novos Baianos”), a ideia de entrevistar apenas os primogênitos de grandes artistas da contracultura brasileira dos anos 60 e 70: Moreno Veloso (filho de Caetano Veloso), Nara Gil (filha de Gilberto Gil), Ciça Morais (filha de Morais Moreira), Beto Lee (filho de Rita Lee), etc; acerca da relação com seus libertários país, é bem interessante.
Me chamou também, bastante a atenção, o depoimento dado por Sarah Sheeva (filha de Baby Consuelo e Pepeu Gomes), sobre os traumas oriundos de ter por eles, originalmente batizada como “Riroca”. É também interessante notar que, apesar do conservadorismo, evidentemente presente em sua atual visão de mundo, visto que ela (assim como sua mãe também) é hoje, pastora evangélica; ao afirmar que: “Pra quem observou tudo aquilo do lado de fora, podia parecer maravilhoso, ter país tão liberais e viver de um modo alternativo. Porém, eu que estava lá, vivendo tudo aquilo, no meu dia a dia, sei que não é tão legal ter pais, embora carinhosos, muitas vezes ausentes e incapazes de entender que não se batiza um filho (a) com o nome de Riroca”.
O fato é que, entre inevitáveis erros e acertos, a genial geração que gerou o “Tropicalismo”, o novo Rock made in Brazil, a contracultura baiana, a vanguarda paulistana, etc; teve, inegavelmente, muita coragem e personalidade, para enfrentar uma sanguinária Ditadura Militar, revolucionar nossos costumes e, claro, revolucionar também a música brasileira, com sua inigualável fusão de estilos, artistas verdadeiramente talentosos e muita qualidade técnica.
Amém, Geração Anos 70, o mundo jamais foi o mesmo, após teu abençoado surgimento.
Se nem tudo foram flores ou paz e amor, o que importa, porém, é que valeu à pena!
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