Jackson do Pandeiro, nome artístico de José Gomes Filho (1919–1982), foi um dos maiores símbolos da MPB, conhecido como o “Rei do Ritmo”. Ao lado de Luiz Gonzaga, ele foi o principal responsável por levar a música do Nordeste para o país todo, fundindo com maestria e uma divisão rítmica impecável gêneros como o coco, o forró, o baião, o rojão e o samba.
O cantor, compositor e multi-instrumentista paraibano nasceu em 31 de agosto de 1919, na cidade de Alagoa Grande, Paraíba. Jackson faleceu em 10 de julho de 1982, em Brasília, aos 62 anos, mas sua divisão rítmica única e sua versatilidade continuam influenciando gerações, como a Tropicália (Gilberto Gil, Caetano Veloso) e gerações inteiras de percussionistas e intérpretes pelo Brasil.
Embora tenha começado a tocar na infância por volta de 1927 (aos 8 anos, acompanhando sua mãe em uma festa, a cantora de coco Flora Mourão), a sua carreira profissional começou oficialmente em 1936, aos 17 anos, em Campina Grande, Paraíba. Porém, o sucesso comercial e o primeiro disco só vieram em 1953, quando ele já tinha 34 anos.
Depois da morte do pai, José e sua família mudaram para Campina Grande e para ajudar em casa, ele trabalhava como engraxate, entregador de pão e ajudante de padaria. O cantor sempre foi apaixonado pelos filmes de faroestes mudos, e muito fã do ator Jack Perrin. Por causa disso, as pessoas começaram a chamá-lo de “Jack”. E nas horas vagas, ele tocava tamborim e frequentava feiras para ver emboladores de coco. Em 1936, o baterista de um conjunto que tocava no Clube Ipiranga faltou, e ele assumiu o lugar. E acabou se tornando o percussionista. E em 1939, já conhecido como Jack do Pandeiro, formou uma dupla com José Lacerda, o irmão de Genival Lacerda).
No começo da década de 1940, Jackson mudou para a capital paraibana e por lá ele vivia tocando em cabarés, boates e cassinos. E foi contratado pela Rádio Tabajara, e integrando a prestigiada orquestra da emissora que era regida pelo Maestro Nozinho. Em 1948, se transferiu para Recife junto do Maestro Nozinho para trabalhar na Rádio Jornal do Commercio. Foi nessa rádio que seu nome mudou de Jack do Pandeiro para Jackson do Pandeiro. E foi em Recife que ele conhecia sua parceira de palco e futura esposa, Almira Castilho.
Em 1953, Jackson gravou seu primeiro disco de 78 rotações. O álbum trazia o coco “Sebastiana” (de Rosil Cavalcanti) e o rojão “Forró em Limoeiro”. E fez um sucesso estrondoso e imediato que o convenceu a se mudar para o Rio de Janeiro, mesmo Jackson tendo pânico de voar além de medo de cidade grande. E foi no Rio de Janeiro que ele foi coroado como o “Rei do Ritmo”.
Seus maiores sucessos foram: “Chiclete com Banana”, “Sebastiana”, “O Canto da Ema”, “Forró em Limoeiro”, “Um a um”, “Cremilda” e “Cantiga do Sapo”.
O artista sofria de diabetes desde a década de 1960. O mal-estar fatal aconteceu em Brasília, no dia 10 de julho de 1982. Ele estava na cidade realizando uma excursão de shows e passou mal no aeroporto, pouco antes de embarcar de volta para o Rio de Janeiro. Jackson chegou a ficar internado por alguns dias na Casa de Saúde Santa Lúcia, mas infelizmente veio a falecer em decorrência de complicações de uma embolia pulmonar e cerebral.
![]()
