Uma obra sincera, ácida e que é um verdadeiro soco no estômago!
O Holandês Paul Verhoeven sempre soube contar uma boa história da forma mais crua, violenta e insana possível, vide obras como Robocop, Instinto Selvagem, O Vingador do Futuro, Show Girls, Louca Paixão, entre tantas outras que poderia citar aqui. Em “Sem Controle” não poderia ser diferente. O cineasta aborda uma estória de sonhos, medos, anseios, ressignificação, libertação, de forma direta e sem medo de chocar.
Rien, Eef e Hans são três amigos motociclistas que, como qualquer jovem na casa dos 18, 20,21, estão em busca de afirmação, correndo atrás de sonhos e descobrindo as dores e prazeres da vida. Pelo caminho dos amigos existe o sonho de se tornar piloto de motocross, inspirados pelo anárquico Gerrit Witkamp (interpretado pelo ainda mais anárquico Rutger Hauer), e também a presença da jovem Fientje, uma ambiciosa vendedora de batatas fritas que sonha com uma vida melhor, longe do trailer fedorento que compartilha com o irmão.
O plot está apresentado, em resumo; três amigos loucos e cheios de sonhos tentam se tornar pilotos de motocross e disputam o coração da mocinha que acabou de chegar na cidade. Parece simples, não é? Mas é aí que entra Paul Verhoeven.
Seja na descoberta de não ter talento algum, a redescoberta de sentimentos, ou literalmente uma queda fatal, Verhoeven faz questão de enfatizar as derrotas dos protagonistas, trazendo junto suas trágicas consequências, contando a estória da forma mais realista possível. Aqui não tem espaço para contos de fadas.
Em alguns momentos o trio protagonista te faz pensar: “como vou torcer por esses caras? Eles são uns idiotas e inconsequentes”. Mas é aí que você pensa de novo: Que jovem não é idiota e as vezes inconsequente? Talvez nós mesmos já tenhamos sido em algum momento da vida. A questão é que quanto mais você vai se aprofundando na vida e nas dores dos personagens, mais você entende alguns comportamentos.
Como boa parte dos filmes de Verhoeven, “Sem Controle” enfatiza bastante a liberdade sexual dos jovens, trazendo cenas de sexo sem medo algum de mostrar os órgãos sexuais dos personagens. Se alguém te pegar vendo esse filme em alguns desses momentos, certamente achará que está vendo um filme pornô. De novo, fica evidente o realismo no trabalho de Verhoeven. Órgãos sexuais à mostra acabam se tornando algum comum neste filme, inclusive com o trio protagonista utilizando uma régua para ver quem tem o maior pênis (????). Sem deixar de mencionar uma cena bem chocante, em que acontece um estupro coletivo. Por momentos esta é uma obra bem indigesta. Verhoeven consegue te incomodar, e muito!
No geral, “Sem Controle” é um bom filme. Uma obra realista e acida, daquelas que fica na memória quando termina de assistir, seja por ser uma estória sincera ou por te chocar.
Se procura um filme confortável, dentro dos padrões e que te faça sorrir ao lembrá-lo, passe longe desse. 😉
Título original: Spetters / País: Holanda / Ano de lançamento: 1980
Direção: Paul Verhoeven / Roteiro: Gerard Soeteman e Jan Wolkers
Elenco: Hans Von Tongeren, Toon Agterberg, Maarten Spanjer, Renée Soutendijk, Rutger Hauer, Peter Tuinman, Marian Boyer, Hans Veerman, Ab Abspoel, Rudi Falkenhagen
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