Mãe atípica e com experiência profissional junto a pessoas neurodivergentes, Naty aponta dificuldades no acesso a diagnóstico, terapias, transporte e suporte aos cuidadores
A saúde e o atendimento às pessoas neurodivergentes estão entre as pautas abordadas por Naty Santana. Mãe atípica, ela também trabalhou durante anos com pessoas neurodivergentes, experiência que, segundo ela, contribuiu para conhecer de perto parte das dificuldades enfrentadas pelas famílias na busca por atendimento e acompanhamento contínuo.
Em conversas realizadas durante ações nos bairros, Naty afirma ter ouvido relatos de mães que enfrentam demora para conseguir avaliações e de famílias que aguardam atendimento especializado. Há ainda casos em que o acesso à terapia é obtido, mas a falta de transporte dificulta a continuidade do tratamento.
O impacto da rotina de cuidados sobre mães, pais e outros responsáveis também é uma das questões levantadas. Em algumas famílias, a necessidade de acompanhar consultas, terapias e outras atividades pode exigir a redução da jornada profissional ou até o afastamento do trabalho, com reflexos sobre a renda familiar.
“Quando falamos de neurodivergência, estamos falando de famílias inteiras. Conseguir uma avaliação é importante, mas o cuidado precisa continuar com tratamento, transporte, acolhimento e apoio a quem cuida”, afirma Naty Santana.
Entre os pontos defendidos por Naty estão a ampliação do atendimento multidisciplinar, a continuidade das terapias e medidas que facilitem o deslocamento de pacientes para os serviços de saúde. Ela também cita a necessidade de ampliar a orientação às famílias sobre direitos e benefícios sociais, incluindo o Benefício de Prestação Continuada (BPC), nos casos em que os requisitos legais sejam atendidos.
Outro ponto destacado é o suporte aos cuidadores. Para Naty, políticas voltadas à neurodivergência precisam considerar não apenas o atendimento individual, mas também a realidade familiar e as condições enfrentadas por quem participa diariamente da rotina de cuidados.
sobre a aplicação dos recursos públicos destinados à saúde e às políticas de inclusão, além de acompanhamento sobre a oferta e a continuidade dos serviços especializados
A discussão sobre neurodivergência envolve diferentes condições e necessidades, o que exige, segundo Naty, políticas capazes de considerar as particularidades de cada pessoa e garantir acesso contínuo aos serviços necessários.
