Análise “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” (2026)

Critica de Filmes

Um filme brasileiro com estilo totalmente hollywoodiano, bem produzido e dirigido, mas com estilo bem teen padrão americano em todos os aspectos, além de surfar na onda de vários filmes.

O filme é uma adaptação do livro homônimo de 2019 escrito por Fernanda de Castro Lima

Um filme brasileiro com uma produção de estilo totalmente hollywoodiano, tanto na qualidade técnica quanto na direção e na construção visual.

Com uma estética urbana, uma atmosfera adolescente e elementos típicos das produções norte-americanas, o filme aposta em uma fórmula bastante conhecida, aproveitando referências de diversas obras do gênero.

A história acompanha Gabi (Any Gabrielly) e Julia (Giulia Be), duas amigas inseparáveis que cultivam uma amizade desde a infância. Enquanto Gabi é mais tímida, reservada e introspectiva, Julia tem uma personalidade descontraída, extrovertida e cheia de energia. No entanto, a vida de Gabi muda completamente após a morte de Julia em um acidente de carro, deixando a protagonista profundamente traumatizada.

Em meio ao luto, Gabi recebe dez cartas deixadas pela amiga, cada uma contendo um desafio que deverá cumprir após sua morte. A premissa lembra bastante P.S. Eu Te Amo, filme no qual a protagonista também recebe cartas do marido falecido para ajudá-la a seguir em frente.

Durante essa jornada, Gabi conhece Lorena (Pâmela Germano), uma nova amiga na escola que possui uma personalidade tão descontraída quanto a de Julia. Aos poucos, Lorena se torna uma importante companhia para Gabi, ajudando-a a enfrentar os desafios propostos nas cartas e a lidar com a perda da melhor amiga.

Conforme a protagonista avança nessa experiência, ela precisa aprender a aproveitar os momentos da vida, superar seus medos e encontrar forças para continuar, mesmo diante da dor e dos conflitos emocionais provocados pelo luto.

Um dos aspectos mais interessantes da produção é justamente sua forte identidade visual norte-americana. Praticamente tudo remete aos filmes adolescentes de Hollywood: os ambientes escolares, os acampamentos, os desafios malucos, a fotografia, a direção de arte e até mesmo as paletas de cores, que apostam em uma estética urbana bastante característica dessas produções.

A trilha sonora também acompanha essa proposta. Mesmo as músicas cantadas em português apresentam características que remetem ao pop adolescente norte-americano, reforçando a identidade que o filme procura construir.

Além disso, a produção segue uma fórmula bastante familiar para quem acompanha o gênero, reproduzindo situações, cenas e elementos narrativos que remetem a obras como As Vantagens de Ser Invisível, 10 Coisas que Eu Odeio em Você e A Culpa é das Estrelas.

Aliás, vale observar uma semelhança visual entre o cartaz desta produção brasileira e o de A Culpa é das Estrelas. A composição das imagens chama a atenção pela proximidade estética, reforçando a impressão de que o filme busca inspiração em referências já consagradas do cinema adolescente norte-americano.

Em relação ao roteiro, a história é previsível e segue caminhos bastante conhecidos, sendo possível antecipar boa parte dos acontecimentos e até mesmo imaginar como tudo terminará. A narrativa utiliza recursos já explorados inúmeras vezes em outras produções, o que acaba diminuindo sua originalidade. Ainda assim, apesar de recorrer a uma fórmula bastante convencional, o filme consegue entregar uma experiência agradável, sustentada principalmente por sua apresentação visual e pela condução da história.

A direção de Diego Freitas é competente e demonstra cuidado com a construção estética e com o ritmo da narrativa. O diretor já esteve à frente de produções como O Segredo de Davi, Depois do Universo e Caramelo, demonstrando versatilidade ao trabalhar com diferentes propostas dentro do cinema brasileiro.

No elenco, o grande destaque fica por conta de Pâmela Germano, que se sobressai na interpretação de Lorena e contribui para dar leveza e energia à narrativa. Any Gabrielly, por sua vez, também chama a atenção, especialmente por sua voz, já que, além de atriz, ela é cantora na vida real.

A produção é de Verônica Stumpf e o elenco também com Sheron Menezzes, Regiane Alves, Daniel Rangel, Michel Joelsas, Léo Jaime, Paulo Lessa, Juliano Floss, Felipe Bertuol, Arthur Khol e Carina Sacchelli.

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