Marina Alves explica como câmbio, tarifas e custos de recebimento influenciam os resultados dos exportadores brasileiros.
O crescimento das exportações brasileiras para os Estados Unidos trouxe novas perspectivas para empresas que buscam ampliar seus negócios no mercado internacional. Em setembro de 2026, as vendas de produtos brasileiros aos americanos alcançaram US$ 3,52 bilhões, um avanço de 31,9% em comparação com o mesmo período de 2025.
Os números, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, mostram uma recuperação importante. Entretanto, o resultado acumulado entre janeiro e setembro ainda apresenta queda de 6,5%, demonstrando que o cenário exige atenção dos empresários.
Para Marina Alves, CEO da Brazil Pays, empresa especializada em soluções de pagamentos internacionais, o aumento das exportações representa oportunidades, mas também reforça a necessidade de planejamento financeiro.
“Conquistar clientes no exterior é uma grande oportunidade para as empresas brasileiras. Entretanto, o empresário precisa compreender que o valor negociado não corresponde necessariamente ao dinheiro que ficará disponível. Câmbio, tarifas e custos de recebimento fazem parte dessa conta”, explica Marina.
O dólar pode mudar o resultado da venda
Um dos principais desafios enfrentados pelos exportadores está na variação cambial. Uma empresa pode fechar uma negociação quando o dólar apresenta determinada cotação e receber o pagamento semanas depois, quando o valor da moeda já mudou.
Essa diferença pode aumentar ou reduzir o resultado financeiro, dependendo das condições negociadas e do momento da conversão.
Segundo Marina, acompanhar o câmbio é tão importante quanto estabelecer preços competitivos.
“O empresário costuma concentrar seus esforços na venda, na qualidade do produto e na conquista do cliente. Mas também precisa planejar como receberá esse dinheiro. Uma mudança na cotação pode comprometer parte da margem esperada”, afirma.
Custos que nem sempre aparecem na negociação
Além da cotação do dólar, operações internacionais podem envolver tarifas bancárias, despesas de transferência, conversão de moedas e cobranças relacionadas aos serviços financeiros utilizados.
Esses valores, quando não são considerados antecipadamente, podem reduzir a rentabilidade das operações, especialmente entre pequenos e médios empreendedores.
Na avaliação da CEO da Brazil Pays, a transparência sobre os custos deve fazer parte de qualquer planejamento comercial.
“Uma operação internacional precisa ser analisada do começo ao fim. Não basta saber quanto o cliente vai pagar. É fundamental conhecer os custos envolvidos e quanto efetivamente chegará à empresa depois da conversão”, destaca.
Receber no prazo também faz diferença
Outro fator importante é o tempo necessário para concluir os pagamentos. Empresas que dependem dos valores recebidos para comprar mercadorias, pagar fornecedores ou manter suas atividades precisam considerar os prazos nas negociações.
Um recebimento mais demorado pode pressionar o caixa, mesmo quando a venda apresenta uma boa margem de lucro.
“Quando o dinheiro demora a chegar, a empresa pode enfrentar dificuldades para cumprir compromissos ou investir em novos pedidos. Por isso, previsibilidade e organização dos recebimentos são fundamentais para quem pretende crescer internacionalmente”, observa Marina.
Planejamento pode transformar oportunidades em crescimento
A recuperação das exportações aos Estados Unidos também chama a atenção para a importância de acompanhar mudanças nas relações comerciais entre os dois países.
Tarifas de importação, condições de mercado e oscilações cambiais podem alterar a competitividade dos produtos brasileiros.
Para a Brazil Pays, compreender o funcionamento dos pagamentos internacionais é parte importante da preparação das empresas que desejam ampliar sua presença no exterior.
Marina Alves defende que o crescimento sustentável depende de decisões financeiras tão bem estruturadas quanto as estratégias comerciais.
“Exportar mais é positivo, mas o verdadeiro crescimento acontece quando a empresa consegue transformar vendas em resultados. Planejar o câmbio, conhecer os custos e organizar os recebimentos permite aproveitar melhor as oportunidades do mercado internacional”, conclui a CEO da Brazil Pays.
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