Análise “Millenium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” (2009)

Critica de Filmes

O primeiro filme da saga Millenium é uma coprodução da Alemanha, Dinamarca e Suécia, baseado no livro do jornalista e escritor sueco Stieg Larsson. E o livro é o primeiro de uma série que vendeu mais de 6,5 milhões de exemplares na Europa.

Em “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”, dirigido por Niels Arden Oplev, assistimos a uma trama intrincada e, ao mesmo tempo, cruel e violenta. Por meio do filme, observamos o passado e o presente longe do idílico imaginário da sociedade sueca. Uma realidade com elementos racistas e extremistas.

Aos quinze anos, Larsson testemunhou o estupro coletivo de uma jovem. Ele nunca se perdoou por não ter ajudado a garota seviciada, e decidiu nomear sua heroína como Lisbeth em sua homenagem.

A personagem de Lisbeth Salander, interpretada pela bela Noomi Rapace carrega consigo traumas e problemas psicológicos. A despeito disso, a garota de estilo punk é uma competente detetive e hacker. Ela vai ajudar o jornalista Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist)) na investigação sobre o sumiço de uma jovem, desaparecida há mais de 40 anos. Blomkvist é contratado por Henrik Vanger, que mesmo depois de tanto tempo, nunca se conformou com o desaparecimento da sobrinha.

As atitudes antissociais de Lisbeth e o drama vivido pelo jornalista, que está sendo processado por difamação, injetam ainda mais tensão na narrativa.

Além disso, o ambiente confinado da ilha de Hedeby, onde vive boa parte dos Vanger, poderosa dinastia empresarial e proprietária do local, cria condições para os terríveis acontecimentos que entram em curso.

Trata-se de um excelente filme de suspense que segue a vida desta família poderosa e nefastos assassinatos em série. A trama, que expõe toda a sordidez dos Vanger, avança em temas caros ao escritor Stieg Larsson, como a violência sexual contra as mulheres e à luta contra a extrema direita e o neonazismo.

Stieg Larsson criou a Swedish Expo Foundation, fundada para “reagir ao crescimento da extrema direita e à cultura da supremacia branca em escolas e entre os jovens”. Em 1991, lançou seu primeiro livro, Extremhögern (A Extrema Direita). Ao longo de sua vida o escritor documentou e expôs a extrema direita e organizações racistas na Suécia.

Stieg Larsson faleceu de um ataque cardíaco aos 50 anos e não pode usufruir do o sucesso de vendas de seus livros, que foram best-sellers absolutos na Suécia, e das adaptações cinematográficas.

“Millenium – Os Homens Que não Amavam As Mulheres” foi premiado com o Bafta de Melhor Filme de Língua Estrangeira em 2011. Teve uma refilmagem americana dirigida por David Fincher, com Daniel Craig como Mikael Blomkvist, e Rooney Mara como Lisbeth Salander, em 2011.

O filme teve ainda duas sequencias suecas A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar. Já “Millenium: A Garota na Teia da Aranha” (2018) foi mais uma sequência da saga, dirigida por Fede Álvarez, adaptada da obra de David Lagercrantz (após a morte de Larsson). Foi a quinta produção baseada na série, desta vez com Claire Foy como Lisbeth Salander.

Loading

Compartilhe nosso artigo

17 thoughts on “Análise “Millenium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” (2009)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *