Análise “Nouvelle Vague” (2025)

Critica de Filmes

Bela homenagem de Richard Linklater, ao grande e mais do que saudoso, Jean-Luc Godard (1930-2022), na qual a ideia é, basicamente, contar/reconstituir os bastidores de gravação do ultra-clássico longa de estreia de Godard: “Acossado” (1960).

Obs: confesso ter ido ver o novo filme em questão, sem grandes expectativas; afinal, Linklater é aquele típico diretor que, quanto acerta, muito bem, mas também, quando erra, Deus nos acuda… Mas, felizmente, dessa vez, o eterno “indie boy” (Linklater), acertou, muito mais do que errou.

Acompanhar, de forma quase documental, a forma como Godard, realmente revolucionou a história da Sétima Arte, ao cometer a abençoada “loucura” de filmar, praticamente sem um roteiro (sim, havia um roteiro-guia básico, mas os diálogos eram mesmo totalmente improvisados no ato das gravações) e, muitas vezes, expondo seu elenco (inclusive, a então famosíssima atriz norte-americana Jean Seberg), equipe e produtor executivo, a diárias que, muitas vezes, duravam apenas duas horas, isso quando não eram canceladas, sem qualquer aviso prévio, dependendo, unicamente do ‘estado de espírito” do diretor. Obviamente, tais “excentricidades” praticadas por Godard (absolutamente inconcebíveis no cinema industrial de Hollywood, por exemplo), incomodaram a diva Jean Seberg (1938-1979) que, em vários momentos, ameaçou abandonar aquele “insano” esquema de gravações. Obs 2: E pensar que, décadas depois, ela praticamente só seria lembrada, justamente por sua participação em “Acossado”…

Neste seu célebre filme de estreia, Godard também cometeu outras abençoadas loucuras, tais como: filmar apenas com luz natural, sem qualquer estrutura de iluminação artificial e, ao invés do tradicional “dolly” (carrinho) para filmar travellings, utilizou uma cadeira de rodas, onde Raoul Coutard (diretor de fotografia) operava uma pequena câmera, sentado. O ator Guillaume Marbeck, em termos de caracterização, está simplesmente idêntico a Godard. Ah, grande mestre, com certeza, caso te perguntassem sobre certos “gênios” do cinema contemporâneo: Nolan, Chloe Zhao, Villeneuve, etc; tu lançarias em relação a eles, o mesmo sarcasmo que dirigiu a Tarantino

No elenco tem Zoey Deutch, Marbeck, Aubry Dullin, Alix Bénézech, Paolo Luka Noe, Benjamin Clery, Tom Novembre, Adrien Rouyard, Matthieu Penchinat, Bruno Dreyfurst, Pauline Belle, Côme Thieulin, Laurent Mothe, Niko Ravel, Benoît Bouthors

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