Dirigido por Michael Apted e estrelado por Jodie Foster, Liam Neeson, Natasha Richardson, Sean Bridgers, Jeremy Davies e Richard Libertini.
Esse filme é um dos raros que vi no cinema. Eu me lembro de ter ido a Santos para assistir em um final de semana. E adorei essa experiência. Acompanho a carreira da Jodie Foster desde nova e não ia deixar esse filme de fora.
Jodie Foster arrasa nesse filme além de Natasha Richardson e Liam Neeson. Eu sei que sou muito suspeita para falar, mas esse filme é incrível e deveria ser mais falado.
Após a morte de uma senhora reclusa em uma cabana isolada nas montanhas da Carolina do Norte, o médico Jerome Lovell (Liam Neeson) é chamado para verificar o corpo. Ao chegar na cabana, ele descobre evidências de que alguém mais viveu ali durante anos e logo encontra Nell (Jodie Foster), uma jovem que se esconde entre as árvores e se comunica, usando um idioma próprio.
Nell cresceu de forma isolada do mundo. Sua mãe, que sofria de afasia depois de ter tido um derrame, falava de forma distorcida. E essa fala passou a ser usada por Nell.
Nell foi criada longe da sociedade, sem contato externo então ela desenvolveu comportamentos diferentes dos quais as pessoas estão acostumadas. Ela usava seu próprio idioma, dialetos e tudo mais e é claro que vai levantar questões sobre como o ambiente influencia o desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
Intrigado e até mesmo tocado por sua aparente inocência, Jerry decide estudar a jovem para entender seu comportamento e proteger sua liberdade. Mas a situação também chama a atenção das autoridades, que acreditam que Nell não é capaz de cuidar de si mesma e deveria ser institucionalizada.
O filme mostra como a linguagem é fundamental para a comunicação e a construção da identidade. A dificuldade de Nell em se expressar ou até mesmo em se comunicar gera medo e estranhamento, mas também curiosidade e empatia dos personagens que tentam entendê-la.
Uma juíza concede um prazo para Nell ser analisada. Jerry trabalha ao lado da psicóloga Paula Olsen (Natasha Richardson). No início, Paula é uma profissional mais cética e técnica para poder avaliar as habilidades cognitivas e sociais de Nell. Ambos passam a conviver com ela na floresta, enfrentando sua resistência inicial e gradualmente aprendendo a decifrar a sua forma de falar, agir, pensar, suas memórias traumáticas e sua visão poética e intensa da vida.
Jerry e Paula também são obrigados a confrontar as suas próprias crenças sobre o que é normalidade, sobre a liberdade e o papel da sociedade na vida de pessoas vistas como “diferentes” ou fora dos “padrões” aceitos pela sociedade.
O filme questiona o que é considerado normal pela sociedade. A ideia de institucionalizar Nell mostra o conflito entre proteger um indivíduo e tentar moldá-lo segundo os padrões sociais. O que acho interessante é que quando os personagens passam um tempo com Nell, as coisas mudam de figura. Eles enfrentam o desafio de compreendê-las sem se importar seus próprios valores. E isso é uma visão mais compassiva e menos controladora. O que eu acho fantástico.
Com o tempo, Nell floresce, vai evoluindo em relação a conexão com os dois: Jeremy e Paula. Nell aprende a confiar, a conversar e expressar os seus sentimentos. A sua pureza e sensibilidade acabam mudando a todos ao seu redor.
Um dos momentos mais cruciais é quando durante uma audiência judicial, Nell aparece perante a corte e demonstra que entende o mundo e que possui capacidade emocional e intelectual para viver de forma autônoma, mesmo que tenha um padrão social diferente das outras pessoas.
A corte decide respeitar seu modo de vida e permitir que ela continue vivendo livre em seu ambiente natural. Então, o filme traz uma nota de ternura e esperança, mostrando que Nell encontrou um equilíbrio entre seu mundo com o dos outros e que aqueles que a conheceram jamais seriam os mesmos.
E vocês? O que acharam do filme? Quem quiser comentar, fique a vontade. Um beijo a todos e até a próxima matéria.
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