Análise a Hora do Massacre (2024)

Critica de Filmes Terror

Parecia que ia ser ruim, mas até que foi bom

A Hora do Massacre (Wake Up, 2024), longa-metragem canadense de terror, distribuído pela Imagem Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, no dia 18 de julho de 2024, com classificação indicativa 16 anos e 83 minutos de duração.

 Emerge como um thriller psicológico que tenta transcender os limites do gênero terror, mas acaba se enredando em suas próprias ambições. O filme, dirigido pelo coletivo RKSS (Anouk Whissell, Yoann-Karl Whissell, François Simard), apresenta uma premissa intrigante: um grupo de jovens ativistas invade uma loja de móveis para protestar contra a destruição ambiental, mas o ato se transforma em um pesadelo quando eles se deparam com um segurança psicopata. A narrativa se desenrola em um jogo de gato e rato, onde as intenções idealistas dos jovens colidem com a brutalidade desenfreada do antagonista.

 O roteiro, embora criativo, tropeça em clichês e diálogos por vezes previsíveis. Os personagens, interpretados por um elenco relativamente desconhecido, são esboçados com traços superficiais, o que dificulta a empatia do público. No entanto, há momentos de genuína tensão e surpresa que mantêm o espectador atento. A fotografia e a direção de arte são competentes, criando uma atmosfera opressiva que é amplificada pela trilha sonora imersiva.

 É provável que alguns espectadores enxerguem dualidades entre os ativistas e o segurança, como um reflexo das tensões sociais contemporâneas, onde o ativismo juvenil é frequentemente confrontado pelo conservadorismo. A performance de Turlough Convery como o segurança psicopata é destacada como um ponto alto do filme, trazendo uma complexidade perturbadora ao papel. Por outro lado, a representação dos ativistas pode ser considerada unidimensional e por vezes caricatural, subestimando a inteligência do público.

 Em termos de produção, o longa faz um uso eficiente de seu orçamento limitado, empregando efeitos práticos que evocam uma sensação de realismo cru. A direção do RKSS é ambiciosa, e embora nem sempre bem-sucedida, demonstra uma clara visão artística. O filme deve ser apreciado também por sua abordagem à violência, que é gráfica sem ser gratuita, servindo à história em vez de apenas chocar.

 Em suma, “A Hora do Massacre” é uma adição intrigante ao gênero terror, que, apesar de suas falhas, oferece uma reflexão sobre a violência, o ativismo e a sociedade. Ele não redefine o gênero, mas é uma boa pedida para quem quer ver jovens sendo assassinados com pitadas de sadismo.

No elenco também tem Alessia Yoko Fontana, Charlotte Stoiber, Daniel Lundh, Benny O. Arthur, Jacqueline More, Kyle Scudder, Gary Anthony Stennette, Aidan O’Hare, Tom Gould.

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