Análise: “Chá e Simpatia (1956)

Critica de Filmes


Análise: “Chá e Simpatia” (1956)

Um filme bastante comentado nos anos1960, mas que se perdeu no tempo. Esse é “Chá e Simpatia”, dirigido por Vincente Minnelli e estrelado por Deborah Kerr, John Kerr e Leif Erickson, que reprisam os papéis que interpretaram na peça homônima da Broadway.

Apesar do filme ser bastante convencional na estrutura narrativa, cenários, figurinos e interpretações, “Chá e Simpatia” aponta para novos caminhos, com temas que acabaram desembocando na chamada Nova Hollywood.

É importante lembrar que na década de 1950, quando “Chá e Simpatia” foi filmado, o Código Hays ainda estava em vigência. Esse código, que vigorou entre 1930 e 1968, impunha uma série de limitações temáticas e de apresentações com base em uma certa “moralidade”. O Código Hays proibia, entre outros, exibir nudez, tráfico de drogas, miscigenação, uso de expressões vulgares.

Ainda assim, “Chá e Simpatia” talvez tenha sido um dos primeiros a falar de homossexualidade, machismo estrutural e, até mesmo do envolvimento de um jovem com uma mulher mais velha casada. Tudo de forma bastante velada.

“Chá e Simpatia” é obviamente um precursor de “A Primeira Noite de um Homem” (1967) com Dustin Hoffman e Ann Bancroft. Esse sim, um marco do início da Nova Hollywood.

Deborah Kerr está excelente como a Sra. Laura Reynolds, esposa de Bill Reynolds (Leif Erickson) treinador de esportes de uma escola masculina americana. Ela atua com firmeza em situações que são abordadas de forma sutil, segundo o espírito conservador da época.

Laura é a única pessoa que apoia o introvertido e “diferente” Tom Lee, papel de John Kerr. Ele sofre de bullying dos valentões da escola apoiados pelo treinador Bill. Chamam-no de “sister-boy”, algo como “garotinha”, numa tradução livre.

As inúteis pressões do pai, do treinador, dos colegas e do único amigo de Tom para ter atitudes mais masculinas, segundo o ponto de vista deles, levam o jovem ao desespero.Treina um andar mais masculino e vai atrás da prostituta local, sem sucesso nessas investidas.

O afeto e o romance com a Sra. Laura também é apresentado de forma bastante discreta. Mas uma frase no final do encontro entre os dois ficaria eternizada, quando ela diz a Tom “Daqui há anos, quando você falar sobre isso, e você vai falar, seja gentil”.

Já o apagamento da figura feminina não é algo discreto no filme. Tom Lee foi criado longe da mãe, após o divórcio de seus pais, e não tem notícias dela. E Laura, após o relacionamento com Tom, também desaparece.

Anos depois, já casado e um escritor de sucesso, Tom Lee volta para uma confraternização no colégio. Lá ele encontra o treinador Bill que lhe entrega uma carta de Laura. Bill lhe conta que a última vez que teve notícias de Laura, ela estava em Chicago. Algo que confirma a invisibilidade da figura feminina a partir de suas escolhas.

No elenco também tem Edward Andrews, Darryl Hickman, Dean Jones, Tom Laughlin, Don Burnett, Jacqueline deWit, Norma Crane, Kip King, Steve Terrell.




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20 thoughts on “Análise: “Chá e Simpatia (1956)

  1. Conheço os atores, na verdade a atriz, sua análise ficou perfeita para quem não assistiu ainda, que é meu caso fique com vontade de ver o filme

  2. Excelente !
    Assisti a peça de teatro nos anos 60, creio que no TBC. Lá se vão sessenta anos e lembro de ter gostado muito, o filme não lembro de ter assistido, mas agora, após sua crítica fiquei ansiosa por assisti-lo.

  3. Revi recentemente Chá e simpatia num lançamento de um box dedicado à Vicent Minelli e tive a mesma impressão.. o filme envelheceu não tão bem como outros da época. Porém ainda é um bom filme e a Déborah Kerr está ótima como sempre em suas interpretações Kerr. Sempre vale a pena vê-la em cena. Parabéns pela crítica impecável.

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