Dirigido por Mitchell Leisen e estrelado por Barbara Stanwyck, Fred MacMurray, Sterling Holloway, Beulah Bondi, Elizabeth Patterson e Paul Guilfoyle.
Olá pessoal. Eu estou de volta. E resolvi trazer outro filme que a Barbara Stanwyck fez com uma temática natalina. E está excelente nesse filme. Eu particularmente adoro o papel dela nesse filme. A personagem dela aqui é até um pouco cínica ou cara de pau. Por que? Porque ela rouba uma peça em uma relojoaria e depois tenta vender essa mesma peça. Não é a toa que é uma das minhas atrizes prediletas e uma das lendas do cinema.
Preston Sturges escreveu o roteiro e é responsável pelo humor refinado e pela crítica social, que é bem presente nesse filme. Mesmo em um assunto sério e delicado a trama tem um toque de leveza e explora os temas de forma madura. O que me encanta é esse toque de leveza.
Barbara Stanwyck está ótima nessa personagem. E sua atuação equilibra dureza, vulnerabilidade e charme. Ela é extremamente charmosa. Enquanto o personagem de Fred MacMurray é moralmente rígido, mas afetuoso e humano. E se encanta com o charme de Stanwyck.
Lee Lander é presa ao tentar roubar uma joia em uma relojoaria, e por ser sua terceira infração, ela será processada por John Sargent (Fred MacMurray), que adia o julgamento por estar perto do Natal. O julgamento será logo após as comemorações do final do ano. John chamou testemunhas que sabia estarem ausentes e assim tiveram que adiar o julgamento. John tinha dois motivos para isso. Primeiro ele próprio iria viajar para Indiana e visitar sua família e segundo, sentiu pena de Lee.
E qual será o próximo passo de John? Arranjar uma fiança para ela e paga essa fiança. Ele pergunta para ela se tinha algum lugar para ficar no Natal e ela diz que não. Eles viajam juntos de carro. A mãe de Lee morava em uma cidade vizinha e ela pretende passar uns dias por lá.
Durante a viagem, os dois conversam um pouco e ele decide acompanhar Lee até a casa da mãe dela. E chegando lá, vimos como havia raiva, ressentimento e até mesmo ódio entre as duas. Lee era uma personagem profundamente marcada, quebrada. Alguém muito ferida (tanto físico, emocional, psicológico). Ela nunca foi amada e muito menos acolhida. E isso explica o motivo da sua postura ser defensiva. Do seu sarcasmo e da sua dificuldade em confiar em alguém.
Lee tinha traumas de abandono emocional. E o seu mecanismo de defesa era: A ironia e a autossabotagem. Aqui a delinquência da personagem era uma carência e falta de suporte social. Ela nunca teve alguém no lado dela para apoia-la e ensiná-la as coisas. Ou até mesmo alguém para incentivá-la a fazer algo. E nós sabemos o quanto a falta de ter alguém faz um estrago enorme em nossas vidas.
Depois disso, John decide levá-la até a casa da sua própria família. Chegando lá, Lee fica encantada com tanta demonstração de afeto e carinho. Foi onde ela descobriu o que significa amar e ser amada. Desejar e ser desejada. Querer e ser querida não somente por John, mas por toda a sua família.
John é um personagem rígido, mas não é frio. Ele acredita na lei, e também no certo e errado, mas acha que uma justiça sem compaixão pode ser algo injusto. Ele tem empatia por Lee e por tudo o que ela passou. E começa a se questionar. E entra em conflito entre dever e afeto. Então começa a ter uma maior flexibilidade em seu julgamento. Ele se apaixona por ela. E toda a família também.
Na casa da família de John, Lee se sente acolhida, mas de verdade. Algo que ela nunca tinha sido antes. E isso, mexe profundamente com ela. E você vê que isso a muda completamente. Ela não é mais a mesma mulher que era no início do filme. E isso é muito nítido. Ela também se apaixona.
Vemos nesse filme, o quanto vínculos saudáveis podem reestruturar as partes feridas de uma pessoa. O romance entre os dois nasce da empatia, do reconhecimento mútuo. Mas o amor não é usado como desculpa para apagar o passado dela. Muito pelo contrário. Lee sabe que precisa assumir seus erros e principalmente as consequências desses erros. E por que ela tomou essa atitude? Porque ela amadureceu e muito emocionalmente. Esse Natal com certeza foi o melhor de todos porque ela pode finalmente se sentir amada, desejada, querida, e realmente acolhida por pessoas que nunca iam fazê-la sofrer novamente.
Bem, eu sei que me empolguei, mas esse filme é muito especial para mim. E sempre que revejo, fico emocionada. É um dos melhores filmes natalinos. E posso dizer que está no meu top 10 sem um pingo de dúvida.
Eu vou ficando por aqui. Mas e para vocês? O que vocês acharam desse filme? Quem quiser comentar sobre ele, fique a vontade. Um beijo a todos e até a próxima matéria.
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Parabéns minha amiga pela analise do filme, não tinha assistido ainda, mas fiquei com vontade de ver depois que lê seu texto, ficou show de bola
Parabéns, Mirian! Fiquei com vontade de ver! Adoro a Barbara Stanwyck