Análise do filme: Lembra-te daquela noite? (1940)

Critica de Filmes Natal

Dirigido por Mitchell Leisen e estrelado por Barbara Stanwyck, Fred MacMurray, Sterling Holloway, Beulah Bondi, Elizabeth Patterson e Paul Guilfoyle.

Olá pessoal. Eu estou de volta. E resolvi trazer outro filme que a Barbara Stanwyck fez com uma temática natalina. E está excelente nesse filme. Eu particularmente adoro o papel dela nesse filme. A personagem dela aqui é até um pouco cínica ou cara de pau. Por que? Porque ela rouba uma peça em uma relojoaria e depois tenta vender essa mesma peça. Não é a toa que é uma das minhas atrizes prediletas e uma das lendas do cinema.

Preston Sturges escreveu o roteiro e é responsável pelo humor refinado e pela crítica social, que é bem presente nesse filme. Mesmo em um assunto sério e delicado a trama tem um toque de leveza e explora os temas de forma madura. O que me encanta é esse toque de leveza.

Barbara Stanwyck está ótima nessa personagem. E sua atuação equilibra dureza, vulnerabilidade e charme. Ela é extremamente charmosa. Enquanto o personagem de Fred MacMurray é moralmente rígido, mas afetuoso e humano. E se encanta com o charme de Stanwyck.

Lee Lander é presa ao tentar roubar uma joia em uma relojoaria, e por ser sua terceira infração, ela será processada por John Sargent (Fred MacMurray), que adia o julgamento por estar perto do Natal. O julgamento será logo após as comemorações do final do ano. John chamou testemunhas que sabia estarem ausentes e assim tiveram que adiar o julgamento. John tinha dois motivos para isso. Primeiro ele próprio iria viajar para Indiana e visitar sua família e segundo, sentiu pena de Lee.

E qual será o próximo passo de John? Arranjar uma fiança para ela e paga essa fiança. Ele pergunta para ela se tinha algum lugar para ficar no Natal e ela diz que não. Eles viajam juntos de carro. A mãe de Lee morava em uma cidade vizinha e ela pretende passar uns dias por lá.

Durante a viagem, os dois conversam um pouco e ele decide acompanhar Lee até a casa da mãe dela. E chegando lá, vimos como havia raiva, ressentimento e até mesmo ódio entre as duas. Lee era uma personagem profundamente marcada, quebrada. Alguém muito ferida (tanto físico, emocional, psicológico). Ela nunca foi amada e muito menos acolhida. E isso explica o motivo da sua postura ser defensiva. Do seu sarcasmo e da sua dificuldade em confiar em alguém.

Lee tinha traumas de abandono emocional. E o seu mecanismo de defesa era: A ironia e a autossabotagem. Aqui a delinquência da personagem era uma carência e falta de suporte social. Ela nunca teve alguém no lado dela para apoia-la e ensiná-la as coisas. Ou até mesmo alguém para incentivá-la a fazer algo. E nós sabemos o quanto a falta de ter alguém faz um estrago enorme em nossas vidas.

Depois disso, John decide levá-la até a casa da sua própria família. Chegando lá, Lee fica encantada com tanta demonstração de afeto e carinho. Foi onde ela descobriu o que significa amar e ser amada. Desejar e ser desejada. Querer e ser querida não somente por John, mas por toda a sua família.

John é um personagem rígido, mas não é frio. Ele acredita na lei, e também no certo e errado, mas acha que uma justiça sem compaixão pode ser algo injusto. Ele tem empatia por Lee e por tudo o que ela passou. E começa a se questionar. E entra em conflito entre dever e afeto. Então começa a ter uma maior flexibilidade em seu julgamento. Ele se apaixona por ela. E toda a família também.

Na casa da família de John, Lee se sente acolhida, mas de verdade. Algo que ela nunca tinha sido antes. E isso, mexe profundamente com ela. E você vê que isso a muda completamente. Ela não é mais a mesma mulher que era no início do filme. E isso é muito nítido. Ela também se apaixona.

Vemos nesse filme, o quanto vínculos saudáveis podem reestruturar as partes feridas de uma pessoa. O romance entre os dois nasce da empatia, do reconhecimento mútuo. Mas o amor não é usado como desculpa para apagar o passado dela. Muito pelo contrário. Lee sabe que precisa assumir seus erros e principalmente as consequências desses erros. E por que ela tomou essa atitude? Porque ela amadureceu e muito emocionalmente. Esse Natal com certeza foi o melhor de todos porque ela pode finalmente se sentir amada, desejada, querida, e realmente acolhida por pessoas que nunca iam fazê-la sofrer novamente.

Bem, eu sei que me empolguei, mas esse filme é muito especial para mim. E sempre que revejo, fico emocionada. É um dos melhores filmes natalinos. E posso dizer que está no meu top 10 sem um pingo de dúvida.

Eu vou ficando por aqui. Mas e para vocês? O que vocês acharam desse filme? Quem quiser comentar sobre ele, fique a vontade. Um beijo a todos e até a próxima matéria.

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