Análise do filme: “Manas” (2024)

Critica de Filmes

O retrato de um mundo arcaico em que a exploração sexual de meninas é o comportamento vigente. Parece um pesadelo. Mas não. Isso é o Brasil atual retratado no impactante “Manas”, uma coprodução Brasil-Portugal de 2024, que estreou nos cinemas nacionais em 2025.

Este é o primeiro filme de Marianna Brennnand que, a partir de uma conversa com a cantora Fafá de Belém, realizou um estudo da violência sexual na Ilha do Marajó, no Pará, durante dez anos. O objetivo foi o de chamar atenção para essa realidade e inspirar mudanças.

O projeto teve o incentivo de Julia Roberts e do ator americano Sean Penn, conhecido por seu apoio a causas humanitárias; aliás ele que ficou muito impressionado com a história. Além deles, “Manas” também contou com o apoio de Walter Salles e dos irmãos Dardenne, da Bélgica.

É importante destacar que “Manas” ganhou o prêmio de “Melhor Direção na 81ª edição do Festival de Cinema de Veneza e outros 39 prêmios em festivais ao redor do mundo. No Brasil, o filme concorreu à vaga para o Óscar que “O Agente Secreto” conquistou.

 O filme é muito bonito visualmente graças à fotografia. O trabalho do brasileiro Pierre De Kerchove é espetacular ao captar a beleza dos igarapés e da selva amazônica, e os rostos ora esperançosos, ora abatidos das meninas da Ilha de Marajó. Seus semblantes.

“Manas” dirige o olhar especificamente para as meninas exploradas, seu desespero, tristeza, submissão e insubmissão a esses valores. Elas são as protagonistas. Assim como a mãe conformada com as atitudes do progenitor com as filhas.

Este é um filme feito de sutilezas, apesar do tema espinhoso. Poucas palavras dão lugar a olhares e imagens sensíveis, sem cair no vulgar. A exploração sexual é mostrada em imagens metafóricas. No entanto, a violência está ali. Dentro do contexto social, dentro das famílias.

Dira Paes está impecável como sempre. Aqui ela interpreta a Delegada Aretha, que possui um olhar firme e diferenciado para as jovens abusadas. Rômulo Braga e Fátima Macedo também estão ótimos. Aliás, Rômulo Braga foi muito detalhista na interpretação do abusador simpático.

O destaque fica por conta da atuação sensível da jovem Jamilli Correa, que tinha apenas 13 anos quando o longa foi filmado.

“Manas” está disponível no Telecine e em outras plataformas de streaming para aluguel.

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29 thoughts on “Análise do filme: “Manas” (2024)

  1. Excelente filme nacional que estreou ano passado, o tema é delicado porém aqui é tratado pra com sutileza ora com a verdade sendo dita.
    Parabéns pela crítica que soube capitar a alma do filme.

  2. Infelizmente o filme “Manas” retrata uma triste e cruel realidade do Brasil, a exploração sexual. Parabéns Bia por sua análise sensível e realista desses fatos tão nocivos à nossa sociedade. Esse é um filme que não pode deixar de ser visto!

  3. Parabéns pela análise sensível de um tema controverso! A exploração sexual infantil é um tema polêmico, que é difícil de ser tratado na arte. A sua análise despertou o meu interesse em assistir ao filme, que é o que toda boa crítica faz. Parabéns mais uma vez, Beatriz!

  4. Um tema muito triste mas que foi evidenciado no filme de maneira nao vulgar e sensivel, abrindo os olhos do espectador para um Brasil onde a impunidade e sofrimento ainda permeiam nossa sociedade. Parabens pela analise, todas sempre muito bem escritas.

  5. Um tema espinhoso, porém necessário. O Cinema e a arte como um todo, entretém, mas também reflete e esfrega na nossa cara a dureza da realidade nua e crua. Necessário, para refletir e semear mudanças. Parabéns grande Bia. Mandou muitíssimo bem

  6. Assisti o filme e concordo com a crítica muito bem colocada. Realmente o filme é feito de sutilezas, trata de um tema muito importante e faz uma denúncia de extrema relevância social.

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