Análise do filme: O que eu fiz para merecer isto? (1984)

Critica de Filmes

Dirigido por Pedro Almodóvar e estrelado por Carmen Maura, Verónica Forqué, Chus Lampreave, Gonzalo Suárez, Luiz Hostalot, Ángel de Andrés López, Kiti Mánver e Antonio Banderas.

Essa trama tem vários assuntos interessantes. Confesso que me bateu uma nostalgia quando revi uns dois anos atrás. As roupas da época, os utensílios, aparelhos domésticos, música entre outras coisas.

Na época em que esse filme foi lançado eu tinha 09 anos. Então eu cheguei a presenciar muita coisa daquilo. Almodóvar sendo Almodóvar e mergulhando no universo feminino.

Mas nesse filme ele também focou em algo importante para os homens. Ejaculação precoce. E o órgão masculino ser tão pequeno que a parceira reclamar. Não que o tamanho seja documento, mas ser pequeno demais também não dá.

A trama acompanha a vida de Glória (Carmen Maura), uma dona de casa, que vive exausta física e emocionalmente devido a rotina opressora. Ela mora em um pequeno apartamento no subúrbio de Madri.

Gloria é casada com um homem grosseiro, machista e indiferente, Antonio. (Ángel de Andrés López) E com dois filhos adolescentes e problemáticos além da sogra autoritária e intrometida. Sem qualquer apoio emocional ou até mesmo espaço para si.

Ela tenta sobreviver a uma existência sufocante de serviços domésticos que ela faz para algumas pessoas e em sua própria casa. E para se manter em pé, Gloria recorre de forma compulsiva a anfetaminas.

A casa da Gloria reflete um caos tão grande quanto o seu mundo interior. Brigas constantes, violência doméstica, falta de dinheiro, ausência de afetos e até mesmo palavras de apoio e carinho e uma sensação de invisibilidade.

Seu filho mais velho se envolve com tráfico de drogas e o mais novo vive isolado. E o marido? Passa os dias vendo televisão ou a tratando com desprezo. E nesse cenário caótico e opressivo, Carmen começa a se questionar. A sua própria identidade e sentido de vida.

A vida de Gloria não é nada fácil. Ela enfrenta humilhações diárias e até mesmo no trabalho teve seus momentos difíceis. Houve uma cena que um de seus patrões a acusou de ter roubado algo.

Um dia, Gloria conhece Cristal (Verónica Forqué), uma prostituta excêntrica e falastrona que traz momentos de leveza e comicidade a trama. A amizade das duas expõe a realidade marginalizada de mulheres que sobrevivem à margem das normas sociais.

A situação fica tão conflitante para Gloria que chega a um limite insustentável. Em um momento de descontrole total, ela acaba cometendo um ato extremo. Gloria tinha chegado ao seu limite físico, emocional e psicológico. Foi um ato totalmente impulsivo, mas também libertador.

Porém esse acontecimento marca o início de uma transformação interior: Pela primeira vez, ela consegue vislumbrar uma possibilidade de liberdade e autonomia.

Era como se Gloria tivesse iniciado sua jornada em busca de liberdade. De reconstruir sua vida sem imposições patriarcais e expectativas sociais que a aprisionavam.

O filme com o estilo irreverente de Almodóvar aborda temas como o papel da mulher na sociedade, a repressão doméstica, a solidão urbana e a luta por identidade.

Esse filme é uma das obras mais emblemáticas e marca uma fase decisiva na carreira do diretor. E estabelecendo seu olhar irreverente sobre o universo feminino, a marginalidade e as contradições da família tradicional.

Antonio Banderas faz uma pequena participação no filme. E aí? O que vocês acharam desse filme? Quem quiser comentar algo, fique a vontade. Um beijo a todos e até a próxima matéria.

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