Análise do filme: Sem Lei e Sem Alma 1957

Critica de Filmes

O filme Sem Lei e Sem Alma (1957) (Gunfight at the O.K. Corral), de John Sturges, começa como a maioria dos grandes westerns dos anos 1950, com uma excelente canção composta por Ned Washington e Dimitri Tiomkin, interpretada por Frankie Laine. Essa abertura musical já estabelece o clima épico da narrativa. Não pude deixar de perceber uma semelhança com o início de Matar ou Morrer (High Noon, 1952), que também apresenta três homens a cavalo chegando à cidade. O detalhe mais curioso é que, em ambos os filmes, um desses personagens é interpretado por Lee Van Cleef. Em Sem Lei e Sem Alma, ao chegar à cidade, seu personagem entra no saloon e começa a falar, assumindo uma presença ativa e provocadora. Já em Matar ou Morrer, ele não profere uma única palavra, tornando-se uma figura silenciosa e ameaçadora. Essa diferença reforça como os dois filmes, embora visualmente semelhantes em sua abertura, adotam abordagens narrativas e simbólicas bastante distintas dentro do gênero western.
Vale lembrar que Sem Lei e Sem Alma é mais um capítulo da saga que retrata a histórica rivalidade e parceria entre Wyatt Earp e Doc Holliday, aqui interpretados por Burt Lancaster e Kirk Douglas. Essa versão me agradou bastante, especialmente porque já assisti a praticamente todos os filmes que abordam essa trama, baseada em um acontecimento real, e considero esta uma das interpretações mais interessantes e bem conduzidas. O diretor consegue traduzir com eficiência a química entre os personagens centrais, evidenciando a forte amizade que nasceu entre eles e acabou por uni-los.
O filme se inicia de forma agitada, impulsionado pelo desejo de vingança de Ed Bailey (Lee Van Cleef), determinado a acertar contas após Doc Holliday (Kirk Douglas) ter matado seu irmão. Ele e mais dois homens chegam à cidade e se posicionam dentro do saloon, aguardando o momento certo para agir. Mesmo depois de aparentemente ser desarmado, Bailey se revela sorrateiro, atento e sempre à espreita, transformando o ambiente em um campo minado de tensão. Doc, por sua vez, parece sentir o perigo no ar e demonstra estar permanentemente preparado para qualquer eventualidade.
Após ajudar Doc Holliday a escapar de uma turba de linchadores em Fort Griffin, onde tudo começou, Wyatt Earp retorna a Dodge City, onde atua como delegado ao lado de seus irmãos. Ali, leva uma vida aparentemente pacata como homem da lei, sustentada pela ordem e pela rotina. No entanto, essa tranquilidade será interrompida quando seu amigo Doc Holliday surge em sua cidade, trazendo consigo não apenas a amizade, mas também a sombra constante da violência.
O ponto alto do filme é o evento que dá nome ao título original, Duelo no O.K. Corral. O confronto entre Wyatt Earp e o bando dos Clanton ocorreu de fato em 26 de outubro de 1881 e durou cerca de 30 segundos. John Sturges recria esse episódio histórico com grande senso de ritmo e encenação, transformando um acontecimento breve em um clímax de forte impacto dramático. Uma década depois, o diretor retornaria ao mesmo episódio em A Hora da Pistola (1967), mas sob outra abordagem narrativa, mais sóbria e revisionista, interessada menos no mito e mais nas consequências do duelo.
Há ainda uma versão anterior, de 1946, que para muitos é a melhor narrativa já feita sobre o episódio: Paixão dos Fortes (My Darling Clementine), do mestre do western John Ford, com Henry Fonda e Victor Mature. Já nos anos 1990, tivemos Tombstone – A Justiça Está Chegando (1993), estrelado por Kurt Russell e Val Kilmer, uma adaptação vigorosa e estilizada, bastante eficiente em seu retrato dos personagens. No ano seguinte, foi lançado Wyatt Earp (1994), com Kevin Costner e Dennis Quaid, uma versão mais solene e arrastada, frequentemente considerada a mais fraca entre as grandes produções sobre o tema.
O filme recebeu indicações ao Oscar nas categorias de Som e Montagem, reconhecimento técnico que reforça a qualidade de sua realização. A dupla central, Burt Lancaster e Kirk Douglas, trabalhou junta em sete filmes ao longo da carreira, e a química entre os dois é um dos grandes trunfos da obra. Particularmente, considero Sem Lei e Sem Alma um dos 20 melhores westerns de todos os tempos, tanto por sua força dramática quanto por sua importância na construção do mito do Velho Oeste no cinema.
Se você quiser ver o filme vou deixar o link: https://drive.google.com/file/d/1BO1-LZGdTjWqOEIEDwGKHnTIdSrwsxYo/view – podendo assistir ou baixar, caso queira me seguir no youtube: https://www.youtube.com/@ricardorickmurilo ou no facebook: https://www.facebook.com/ricardo.freitas.929014, fiquem à vontade deixando um comentário abaixo sobre minha análise e obrigado pela oportunidade.

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14 thoughts on “Análise do filme: Sem Lei e Sem Alma 1957

  1. Ricardo, queria te agradecer pela excelente análise que você fez do filme Sem Lei e Sem Alma (1957). Sua leitura foi muito detalhada, sensível e inteligente, destacando pontos que muitas vezes passam despercebidos por quem assiste apenas pela ação do faroeste. A forma como você explicou os conflitos do personagem, o peso moral das decisões e o contexto da época enriqueceu muito a compreensão da obra. Depois da sua análise, o filme ganha ainda mais profundidade e significado. Parabéns pelo conhecimento e pela clareza ao compartilhar suas ideias. Foi realmente uma aula sobre cinema!

  2. Gosto de todas as adaptações que assisti sobre o acontecido entre Wyatt Earp e Doc Holliday e o bando dos Clanton, cada versão trás boas duplas de atores, a mais afiada de todas é mesmo Lancaster e Douglas! Excelente sua análise, Ricardo, sempre certeiro e detalhista, parabéns!

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