O Matador – O Western que foi do clássico ao moderno

Critica de Filmes

Diferente dos westerns tradicionais, esse filme tem uma trama psicológica que se passa em­ toda narrativa, principalmente na cidade de Cayenne em 1880, onde o protagonista tem um propósito, porém o tempo é curto, mas ele tem a vantagem de ter um antigo comparsa na cidade que agora é o sheriff: Mark (Millard Mithell), que ainda é seu amigo e a quem ele pede ajuda para rever sua família, que não vê há 8 anos e que está agora vivendo com outros nomes nessa cidade.

O diretor Henry King trouxe uma atmosfera quase noir que era incomum para western, além de ser filmado em preto e branco com um tom sombrio, em vários momentos quase claustrofóbico por se passar em lugares fechados e principalmente no saloon, onde se passa a maior parte da história. Nesse bar temos a presença de Mac (Kark Malden), o barman que recebe Jimmy Ringo e o bajula sempre que pode; seria medo ou admiração?

Esse filme mostra a maldição de ser um pistoleiro e as consequências de lidar com essa reputação; a fama não lhe dará paz, as pessoas têm admiração e medo ao mesmo tempo. Esse fatalismo da lenda já foi abordado em outros filmes que vieram depois: Os Brutos Também Amam 1953, Gatilho Relâmpago 1956 e O Último Pistoleiro 1976.

Por mais que tente ser uma pessoa normal, Jimmy Ringo perdeu essa chance, isso fica bem evidenciado durante toda a história e principalmente na sua conclusão, que de certa forma teve um certo alívio ou uma redenção para o personagem que não consegue a tão almejada paz que queria poder desfrutar com sua família sendo o desfecho surpreendente e tocante para o fim do pistoleiro.

O ator Gregory Peck trabalhou em 06 filmes com o diretor Henry King; ele também fez na sua carreira muitos filmes de bangue-bangue, talvez os mais lembrados sejam: Duelo ao Sol 1946, Céu Amarelo 1948, O Matador 1950, Estigma da Crueldade 1958, Da Terra Nascem os Homens 1958, A Conquista do Oeste 1962, A Noite da Emboscada 1968.

O filme está disponível no youtube de graça para todos assistirem e ao mesmo tempo que essa análise foi escrita, fiz um vídeo com um dos meus parceiros do Canal Novo Cine Debate: Marcelo Kricheldor, que também escreve aqui no site. No vídeo falamos do filme dessa análise: O Matador 1950. Se vocês quiserem conferir o bate-papo, está aqui o link: https://youtu.be/97uvfSa_c0s. Quem quiser comentar abaixo sobre minha análise, fiquem à vontade e obrigado pela oportunidade.

Ficha Técnica do filme:

Título Original: The Gunfigter

Ano: 1950

Direção: Henry King

Roteiro: William Bowers. Willia Selleres

Elenco: Gregory peck, Helen Westcott, Millard Mitchell, Jean Parker, Karl Malden, entre outros

Genero: Faroeste

País: Estados Unidos

Duração: 85 minutos

Cor: Preto e Branco

Idioma: Inglês

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38 thoughts on “O Matador – O Western que foi do clássico ao moderno

  1. Ricardo, seu análise sobre o filme foi perfeita, parabéns! Você conseguiu capturar exatamente o que eu senti ao assistir. Sua habilidade de dissecar os personagens e a trama foi impressionante. Continue assim! 👏👏

  2. Falou de faroeste o Ricardo conhece e entende desde o primeiro tiro. Não assisti o filme, mas agora, após essa excelente análise sobre o filme ficou tentador assisti.

  3. Um filme atemporal; um belíssimo exemplo do horizonte que um western pode chegar; por isto e aquilo é um gênero que sempre consegue e pode ser revigorado.
    Aqui se vê um homem capaz, disposto a ressocializar-se, contudo o passado pesa contra de tal maneira que não basta o querer.
    Se vê a mesma situação vivida hoje por pessoas que também querem ter uma nova vida, porém o conservadorismo incutido na sociedade (de modo errôneo) carrega em si uma corda, pronta e irracional, disposta a sufocar (e enforcar) todo aquele que saia da linha, mesmo que já não o demonstre. Poderia fazer muitas críticas a este modo hipócrita, preconceituoso e sobretudo nada moralista, já que sua moral implica em matar sem perguntar; mas nada vai mudar para Jimmy Ringo. A sociedade precisaria mudar antes.

    Embora seu roteiro fora bastante cuidadoso, deu-me uma vontade de rever as coisas por outra ótica. Parece que ficar ali enclausurado no bar não deu chances ao personagem contar sua história. Mas uma obra autêntica é assim: nem sempre tudo é como queríamos.

    Filmaço!

    Já tinha visto há tanto tempo numa locação, mas rever agora, mais maduro, é como se fosse tudo novo.

    Gregory Peck e Millard Mitchell excepcionais e marcantes.

    É um exemplar humanizado e introspectivo do western mostrando que não se vive só de passado.

    Parabéns pelo ótimo texto, obrigado por compartilhar seu conhecimento elevado da sétima arte e também por te-lo indicado.

  4. Adoro as postagens do Ricardo…
    Sempre aprendo muito com ele!!!
    Parabéns Ricardo e obrigada por sempree incluir nas suas publicações para aumentar meu conhecimento!❤️

  5. Adoro as postagens do Ricardo…
    Sempre aprendo muito com ele!!!
    Parabéns Ricardo e obrigada por sempre me incluir nas suas publicações para aumentar meu conhecimento!❤️

  6. Seu texto ficou excelente! Gostei muito de como vc destacou o lado psicológico do filme e o modo como Henry King transformou um western em algo quase noir, bem mais intimista e sombrio. A forma como vc descreveu o Jimmy Ringo realmente deixa claro esse peso da reputação e da solidão do pistoleiro….algo que muitos westerns tentaram depois, mas poucos fizeram com tanta força.

  7. Eu fiquei conhecendo o termo “Western Psicológico” por causa do seu vídeo com o Marcelo. Valeu por enriquecer o meu vocabulário cinematográfico com um termo novo. E parabéns pela resenha!

  8. Mais um filme excelente e uma Análise a altura dele, assisti há anos atrás por ser fã do Gregory Peck e deu vontade de ver de novo, de sofrer de novo. Ótimo texto, Ricardo, obrigada por mais essa recomendação, valeu!!

  9. Mais um filme excelente e uma Análise a altura dele, assisti há anos atrás por ser fã do Gregory Peck e deu vontade de ver de novo, de sofrer de novo, de rever o Peck!

  10. Olá Freitas, é isso aí guerreiro, gostei de sua análise. Sabemos que a luta do ator Gregory Peck, para passar ao público o que o filme queria revelar foi grande. Mas ele conseguiu e na vida real: um pistoleiro ou matador terá muita dificuldade de voltar uma vida dentro do padrão da normalidade, para usufruir de paz e família.

  11. Boa crítica do especialista Ricardo. É a primeira vez q assisto um Western com Peck. Uma história simples sobre um homem e sua intenção de rever a família após 8 anos ausente mas o fato de ser um pistoleiro temido e idolatrado se torna um fardo e dificulta a reunião com sua esposa e o filho. E ainda tem q enfrentar todos os q o desafiam para um duelo.
    O filme mostra q às vezes é melhor ser um homem comum do que um ás do gatilho

  12. Quando Peck recusou o papel de Kane em Matar ou morrer eu consigo entender o motivo.
    E fez muito bem.
    Afinal Peck se saiu excelente nesse papel.
    Ele realmente mudou de vida.
    Infelizmente a maioria das pessoas não acreditam nele.
    Não tem como ficar indiferente ao seu personagem.
    Tudo o que ele quer é recomeçar sua vida.
    Excelente filme.

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