Como grandes estúdios qualificaram um designer brasileiro a perseguir seu próprio sonho nos games

Videogame

Durante anos, atuar em grandes empresas da indústria de jogos foi, para Nelson Pereira Neto, mais do que uma conquista profissional, foi uma formação estratégica. O designer brasileiro de UI/UX – sigla para User Interface (interface do usuário) e User Experience (experiência do usuário) – construiu sua trajetória colaborando com estúdios internacionais de peso, experiência que, segundo ele, foi determinante para desenvolver as habilidades e a visão necessárias para dar um passo além: iniciar seu próprio projeto autoral.

Com cerca de uma década de atuação no setor, Nelson trabalhou diretamente com estúdios como a Gunfire Games e a Grinding Gear Games, participando da criação de interfaces para títulos de grande alcance global, como Darksiders III, Remnant: From the Ashes, Remnant II e Path of Exile. Em projetos desse porte, a interface não é apenas um detalhe visual: é parte fundamental da experiência, da retenção de jogadores e da identidade do produto. Mas foi nos bastidores dessas produções que ele afirma ter adquirido seu maior diferencial.

“Trabalhar em grandes empresas e acompanhar de perto como tudo funciona me permitiu entender não apenas o design, mas o ecossistema completo do desenvolvimento de um jogo”, destaca. Ao longo dos anos, sua atuação foi além da criação visual. Envolveu programação de interfaces, estruturação de sistemas escaláveis e desenvolvimento de ferramentas personalizadas para otimizar fluxos de trabalho dentro dos estúdios.

Essa vivência ampliou suas competências técnicas desde a arte à implementação e, principalmente, sua compreensão das necessidades reais das empresas. Orçamentos, prazos, limitações técnicas, integração entre departamentos, exigências de mercado e relacionamento com comunidades de jogadores passaram a fazer parte de sua visão estratégica.

Segundo Nelson, observar o desenvolvimento de grandes franquias permitiu entender com clareza os desafios enfrentados pelos estúdios e as decisões que moldam um produto final. Essa leitura do mercado foi essencial para que ele enxergasse novas possibilidades.

Depois de anos contribuindo para jogos de alcance mundial, o designer começou a amadurecer um objetivo pessoal: criar seu próprio jogo autoral. A experiência acumulada, tanto técnica quanto estratégica, tornou-se a base para essa nova etapa. “Ver o processo completo, do conceito ao lançamento e à manutenção contínua, abriu meus olhos para o que é necessário para tirar uma ideia do papel”, afirma.

Atualmente atuando como consultor e diretor de UI/UX, Nelson segue colaborando com grandes estúdios internacionais, mas já direciona parte de sua energia para o desenvolvimento de um projeto próprio. A diferença, segundo ele, está na segurança adquirida ao longo da trajetória: entender como funcionam as engrenagens internas da indústria reduz riscos e amplia a capacidade de planejamento.

Sua história reforça uma percepção comum no mercado criativo: trabalhar em grandes empresas pode ser uma escola intensa. Mais do que estabilidade ou reconhecimento, oferece acesso a processos estruturados, padrões de qualidade elevados e uma visão clara das demandas globais do setor.

Para profissionais que sonham em criar seus próprios jogos, a experiência de Nelson Pereira Neto indica um caminho possível: aprender com os gigantes, absorver métodos, entender os bastidores e, a partir dessa base, construir algo próprio. Em um mercado cada vez mais competitivo, conhecimento técnico aliado à visão estratégica pode ser o diferencial entre apenas participar da indústria e, de fato, deixar uma marca autoral nela.

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