Campanha Abril Verde reforça elo entre saúde mental e segurança no trabalho

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Psicóloga esclarece que iniciativas corporativas das empresas deveriam apostam em integração e capacitação para fortalecer a prevenção

Está acontecendo a Campanha Abril Verde, voltada à conscientização sobre saúde e segurança no trabalho. Oportuna, a atividade ganha força no ambiente corporativo ao ampliar o debate sobre fatores que vão além dos riscos físicos. 

Instituída para marcar o mês de prevenção a acidentes e doenças ocupacionais, a iniciativa chama a atenção para a necessidade de práticas contínuas de cuidado com o trabalhador. Nesse contexto, empresas têm incorporado treinamentos e atividades recreativas como instrumentos estratégicos para fortalecer a qualidade de vida e reduzir riscos operacionais.

Dados de organizações internacionais, como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), indicam que fatores psicossociais, como estresse e sobrecarga, estão diretamente relacionados ao aumento de acidentes. A pressão por resultados, aliada à execução simultânea de múltiplas tarefas, compromete a atenção e a capacidade de tomada de decisão. Nesse cenário, programas de capacitação e ações voltadas ao bem-estar deixam de ser iniciativas acessórias e passam a integrar a política de prevenção.

Para a psicóloga e consultora Bruna Antonucci, especializada em desenvolvimento de lideranças, ainda há uma lacuna na compreensão sobre a relação entre saúde mental e segurança. “Muitas pessoas não associam acidentes de trabalho ao estresse ou à falta de atenção. Existe uma tendência de focar apenas nos riscos físicos, quando, na prática, o comportamento humano é decisivo para a prevenção. É porque o ambiente corporativo que valoriza pausas, integração e momentos de descontração contribui para reduzir a impulsividade e aumentar o nível de atenção dos colaboradores”, salienta. 

A especialista também destaca a importância da Norma Regulamentadora Nº 1 (NR-1), que estabelece disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho no Brasil. A norma orienta as empresas a adotarem medidas de gestão de riscos ocupacionais, incluindo fatores organizacionais e psicossociais. “A NR-1 amplia o olhar sobre o que é risco. Não se trata apenas de máquinas ou equipamentos, mas também de condições como pressão excessiva, acúmulo de funções e ambientes que favorecem o esgotamento”, explica Bruna.

Nesse sentido, treinamentos periódicos têm papel central na construção de uma cultura de segurança. Ao abordar não apenas procedimentos técnicos, mas também aspectos comportamentais, essas capacitações contribuem para que o trabalhador reconheça sinais de fadiga, estresse e sobrecarga. Atividades recreativas, por sua vez, funcionam como ferramentas de integração e alívio de tensão, favorecendo relações mais equilibradas e colaborativas no ambiente de trabalho.

“O desafio está em mudar a lógica produtiva baseada exclusivamente na entrega de resultados. Quando o foco está apenas em produzir mais, as pessoas tendem a agir no automático, o que aumenta o risco de erros. A segurança depende de atenção, e a atenção exige condições adequadas de trabalho, inclusive do ponto de vista emocional”, pontua a especialista.

No fim das contas, a campanha Abril Verde reforça a necessidade de uma abordagem mais ampla e integrada. “Ao associar saúde mental, treinamentos e práticas de bem-estar à prevenção de acidentes, a iniciativa contribui para transformar a cultura organizacional. Empresas que investem nesse modelo não apenas reduzem índices de afastamento, mas também constroem ambientes mais seguros, produtivos e sustentáveis no longo prazo”, finaliza Bruna.

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