Vidro é um filme americano de suspense psicológico e super-heróis lançado em 2019, dirigido e escrito por M. Night Shyamalan.
Produzido por M. Night Shyamalan, Jason Blum, Marc Bienstock e Ashwin Rajan, o longa conta com atuações marcantes de James McAvoy, Bruce Willis, Anya Taylor-Joy, Sarah Paulson e Samuel L. Jackson.
Após a Touchstone Pictures, dos estúdios Walt Disney, optar por não financiar uma sequência de Corpo Fechado, Shyamalan decidiu reaproveitar um personagem inicialmente criado para aquele universo e desenvolveu Fragmentado. Mais tarde, utilizou o final do filme para conectar definitivamente as narrativas e formar a trilogia composta por Corpo Fechado, Fragmentado e Vidro.
Particularmente, considero esta trilogia sensacional. Existe algo muito singular em sua construção: ela desconstrói o conceito tradicional de super-herói de maneira íntima, humana e quase teatral. O que mais chama minha atenção é a construção cênica e o desenvolvimento psicológico das personagens , algo que, provavelmente, Konstantin Stanislavski definiria como uma entrega visceral.
Há uma fusão extraordinária entre ator e personagem, onde conseguimos enxergar o verdadeiro “cerne do ator”. Em Fragmentado, por exemplo, o trabalho de James McAvoy ultrapassa a técnica. Existe uma entrega corporal e emocional impressionante. Não se trata apenas de interpretar múltiplas personalidades, mas de construir pequenas atmosferas internas para cada uma delas. Mudanças no olhar, na respiração, no eixo corporal e na tensão vocal fazem com que sua atuação se aproxime de um verdadeiro trabalho de palco.
M. Night Shyamalan possui uma assinatura muito própria ao construir silêncio, tensão e simbolismo visual. Seus filmes não “gritam”; eles expressam emoções. Criam desconforto lentamente, quase de maneira silenciosa e psicológica. Isso é extremamente poderoso para quem aprecia um cinema mais sensorial.
Vidro é um filme tenso, dramático e, ao mesmo tempo, profundamente reflexivo. A narrativa nos faz pensar sobre identidade, dualidade e sobre as múltiplas versões que podem coexistir dentro do ser humano.
São 2 horas e 9 minutos que passam rapidamente, justamente porque a narrativa é envolvente e prende o espectador do início ao fim. Apesar do hiper-realismo presente em algumas cenas, é impossível não se deixar conduzir pela riqueza dos movimentos, pela atmosfera construída e pela precisão dos detalhes presentes na direção.
Por mais intrigante que a história seja, este é um daqueles filmes que despertam um pensamento inevitável: “Eu gostaria de ter escrito essa história.” rsrsrsrs
Não apenas pela narrativa em si, mas pela complexidade criativa, pela dinâmica dos acontecimentos e pela forma como tudo se desenrola de maneira tão cuidadosamente elaborada.
Outro ponto extremamente marcante é a trilha sonora composta por West Dylan Thordson. A música conduz o espectador por diferentes emoções, medo, tensão, inquietação e até euforia. O uso das cordas, especialmente do violino, desenha emocionalmente cada cena e amplia ainda mais a sensação de suspense. É uma verdadeira aula de construção sonora.
Se você ainda não assistiu à trilogia formada por Corpo Fechado, Fragmentado e Vidro, vale a experiência.
Porque cinema não é apenas assistir imagens.
Cinema é sentir a cena em sua totalidade. 🎬
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