Quatro filmes espetaculares de Jean Renoir

Uncategorized

Nessa matéria vamos relembrar um dos maiores diretores da história do cinema: o francês Jean Renoir (1894-1979), filho do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir.

Com obras caracterizadas por um forte humanismo, Jean Renoir foi subsetimado e criticado em sua época. Mas depois, foi considerado um dos melhores cineastas por ninguém menos que Orson Welles, François Truffaut e Jean-Luc Godard. Seu cinema é reconhecido como precusor da Nouvelle Vague. Ele atuou entre os anos 1920 e 1970, com mais de quarenta obras, entre ficção e documentários.

Renoir era um dos destques do Realismo Poético Francês, tendência da qual fizeram parte Marcel Carné e Jean Vigo, entre outros. Essa vertente explorava o fatalismo e melancolia após a Segunda Guerra Mundial de forma lírica.

Sua cinematografia privilegia a atmosfera casual, mesmo em suas histórias mais criativas. Inovador, ele privilegiou os planos sequências aos cortes, e organizou os personagens nos takes de forma a transmitirem o contexto de forma integrada, natural e espontânea. A ação pode ser acompanhada em primeiro e segundo plano. Sua câmera é fluida e Renoir privilegia a luz natural e as locações reais.

Jean Renoir foi um exímio contador de histórias. Os enredos de seus filmes são bastante interessantes, e alguns convergem para críticas à guerra e à sociedade aristocrata francesa. Outros, entretanto, retraram a classe trabalhadora e os marginalizados. Renoir filmou na França, Estados Unidos, Índia e Itália.

Aqui, detalho quatro obras indispensáveis da filmografia de Jean Renoir, por ordem de lançamento:

  1. A Cadela (1931) retrata Maurice Legrand (Michel Simon) um bancário simplório e submisso à esposa que se dedica à pintura como hobbie. Sua natureza passional se revela quando ele se apaixona pela jovem prostituta (Janie Marèse). Entretanto, ele é manipulado pela moça e seu gigolô Dedé (Georges Flamant). O título do filme se refere à ganância que envolve todos os personagens. Uma trágica coincidência ocorreu na vida real com os atores Janie Marèse e Georges Flamant. Neste filme de tom pessimista em que ninguém é verdadeiramente bom, Renoir inova na cinematografia com o uso de profundidade de campo, e filmagens em locações externas acompanhando o caminhar dos personagens nas ruas de Paris.
  2. A Grande Ilusão (1937) é um dos mais importantes filmes sobre prisoneiros de guerra da história do cinema e um dos mais influentes de todos os tempos. Observa-se a repetição de seus temas, e até mesmo de cenas em Casablanca (1942), Fugindo do Inferno (1963) e Um Sonho de Liberdade (1994). Um grupo de oficiais franceses é preso em um campo pelos alemães durante a I Guerra Mundial. Excelentes interpretações de Eric Von Stroheim (Capitão Von Rauffenstein), Pierre Fresnay (Capitão de Boeldieu), Jean Gabin (Tenente Maréchal) e Marcel Dalio (Rosenthal).
  3. A Besta Humana (1938) é uma adaptação do livro do escritor francês Emile Zola, caracterizado pelo determinismo biológico. Jean Gabin (Jacques Lantier) está brilhante como o maquinista refém de sua herança familiar ligada ao alcoolismo. Ele luta incessantemente contra o instinto de matar, que surge principalmente em momentos de carinho e afeto com alguma mulher. Por isso, prefere se dedicar a sua locomotiva, a quem denominou “Lison”. A fotografia do filme é do mestre Curt Courant e, para as cenas de maior movimento, foram posicionadas câmeras reais numa locomotiva em movimento.
  4. A Regra do Jogo (1939) é um excelente estudo sobre a hipocrisia da aristocracia europeia. Aristocratas e empregados dividem o mesmo espaço visual na mansão do marquês Robert de la Cheyniest (Marcel Dalio) e reproduzem realidades semelhantes no mis-en-scène como adultérios em ritmo de vaudeville e quiproquos (mal entendidos e confusão entre personagens). O filme antecipou algumas inovações como o uso de planos-sequência, a câmera em movimento e a nitidez entre o que ocorre frente à lente e o fundo do cenário caracterizando uma profundidade de campo que permite acompanhar várias histórias ao mesmo tempo. Jean Renoir atua como Octave, amigo e confidente da marquesa Christine de la Chyniest (Nora Gregor).

Loading

Compartilhe nosso artigo

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *