José Lins do Rego foi um dos mais importantes romancistas regionalistas da literatura brasileira. Ele se destacou como um dos principais nomes da Geração de 30, que compõe a segunda fase do Modernismo no Brasil. Conhecido pelo crítico Otto Maria Carpeaux como “o último contador de histórias”, sua obra reconstrói com profundo lirismo e oralidade a transição social e a decadência dos engenhos de açúcar no Nordeste.
Ele nasceu em Pilar, na Paraíba, criado no ambiente rural do Engenho Corredor.
José Lins do Rego formou-se em Direito no ano de 1923 pela tradicional Faculdade de Direito do Recife. Ele havia ingressado no curso em 1919. Foi justamente durante o período universitário que ele aprofundou seus laços com o meio literário e conheceu intelectuais decisivos para sua formação, como Gilberto Freyre.
José Lins do Rego foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 15 de setembro de 1955 e tomou posse oficialmente como membro imortal em 15 de dezembro de 1956. Ele se tornou o quarto ocupante da Cadeira nº 25, sucedendo a Ataulfo de Paiva. Na cerimônia de posse, o escritor foi recebido pelo acadêmico Austregésilo de Athayde. Um fato marcante de sua entrada na instituição foi o seu discurso, considerado bastante crítico e irreverente por questionar diretamente o valor literário de seu antecessor, o que causou grande repercussão na época. Infelizmente, ele desfrutou da imortalidade por pouco tempo, vindo a falecer em setembro do ano seguinte, em 1957.
José Lins do Rego escreveu um total de 12 romances ao longo de sua carreira literária. Suas obras mais marcantes e célebres estão divididas entre as memórias de infância e o retrato social do Nordeste.
As obras mais marcantes do escritor são:
Fogo Morto (1943): Considerada unanimemente pela crítica como a sua obra-prima. O livro encerra com maestria a temática dos engenhos ao narrar a decadência definitiva do Engenho Santa Fé através de três personagens marcantes: o mestre seleiro Amaro, o lunático Capitão Vitorino e o aristocrata falido Lula de Holanda.
Menino de Engenho (1932): O seu romance de estreia, que causou grande impacto na literatura brasileira. Com forte teor autobiográfico, a obra acompanha o amadurecimento do menino Carlos após ir morar no engenho de açúcar de seu avô materno.
Doidinho (1933): Sequência direta de Menino de Engenho. Mostra a dura transição da liberdade do ambiente rural para a rotina severa e repressiva de um colégio interno.
Riacho Doce (1939): Uma de suas obras independentes de maior sucesso comercial. Ambientada na costa de Alagoas, a história foca no intenso choque cultural e amoroso entre uma jovem sueca e os moradores de uma comunidade de pescadores local.
Os meses finais do escritor foram marcados por um rápido declínio de sua saúde física, embora ele tenha permanecido intelectualmente ativo até onde pôde. Ele já enfrentava problemas decorrentes da doença hepática crônica, que se agravaram progressivamente após a sua consagração máxima ao entrar para a Academia Brasileira de Letras no final de 1956.
Diante da gravidade de seu estado de saúde, José Lins do Rego passou seus últimos dias internado na Casa de Saúde São Bento, no Rio de Janeiro. E veio a falecer em 12 de setembro de 1957, no Rio de Janeiro, aos 56 anos devido a uma cirrose hepática.
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