105 Anos de Nascimento de Zuzu Angel.

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Zuzu Angel (1921–1976) foi uma pioneira estilista brasileira que se transformou em uma das maiores figuras de resistência contra a ditadura militar no Brasil. Nascida Zuleika de Souza Netto, ela alcançou sucesso internacional na moda ao valorizar a identidade nacional. No entanto, sua trajetória foi marcada pela busca incessante por seu filho, Stuart Angel Jones, assassinado pelo regime militar.

Zuzu Angel começou formalmente a sua carreira de estilista no ano de 1957, quando abriu o seu primeiro pequeno ateliê em Ipanema, no Rio de Janeiro.

Meados dos anos 1950: Antes de ter a sua marca própria, ela deu o impulso inicial na carreira ao costurar profissionalmente e participar do projeto beneficente “Obras das Pioneiras Sociais”, liderado pela então primeira-dama Sarah Kubitschek. Suas primeiras coleções de saias coloridas fizeram tanto sucesso que a demanda a obrigou a expandir o negócio.

Em 1957: Oficializou o seu espaço de criação. Inicialmente, a marca foi batizada de Zuzu Saias, passando logo em seguida a produzir blusas, vestidos e acessórios com a assinatura que revolucionou a moda nacional.

Em 1966: Após consolidar o seu nome entre a elite carioca, realizou o seu primeiro grande desfile oficial no hotel Copacabana Palace, o que projetou sua marca rumo ao mercado internacional.

Na década de 1950, Zuzu rompeu com a dependência dos padrões europeus. Ela introduziu elementos tipicamente nacionais em suas coleções, usando tecidos como chita, renda, seda e estampas de elementos tropicais. Seu ateliê vestiu celebridades internacionais e a elite carioca. Ela foi a primeira marca brasileira a conquistar espaço no mercado de prêt-à-porter de luxo nos Estados Unidos.

Em maio de 1971, seu filho Stuart Angel Jones, integrante do grupo de resistência MR-8, foi preso, torturado e morto na Base Aérea do Galeão. O regime militar omitiu o crime e declarou o jovem como desaparecido. A partir desse momento, Zuzu utilizou a sua projeção pública e o seu trabalho para denunciar as atrocidades do governo.

E Zuzu realizou o primeiro desfile/protesto da história da moda em Nova York, no ano de 1971. Suas peças coloridas deram lugar a vestidos com estampas de tanques de guerra, pássaros engaiolados, anjos feridos e manchas vermelhas que simulavam sangue. Ela encerrou o desfile vestida inteiramente de preto em sinal de luto. Zuzu também entregou relatórios e cartas a autoridades internacionais, incluindo o Secretário de Estado americano Henry Kissinger, para expor a violência no Brasil.

Zuzu Angel faleceu em 14 de abril de 1976 em um suposto acidente automobilístico na saída do túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro. Anos antes, ela havia deixado uma carta aberta alertando que, se morresse de forma repentina, os responsáveis seriam os mesmos assassinos de seu filho.

E mesmo depois de sua morte, Zuzu tem sido falada, homenageada.

Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade comprovou que sua morte foi uma emboscada planejada pela repressão. O Estado brasileiro corrigiu oficialmente sua certidão de óbito para reconhecer que sua morte foi violenta e causada pela ditadura militar. O túnel onde ocorreu a tragédia foi rebatizado como Túnel Zuzu Angel. Sua história inspirou a icônica canção “Angélica”, composta por Chico Buarque.

Zuzu Angel era muito nova quando veio a falecer, mas deixou um legado na moda. Descanse em paz, Zuzu Angel.

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