Falar sobre Raul Seixas é voltar para a minha infância e adolescência. Ouvi muitas músicas e ouço até hoje canções que foram imortalizadas desse cantor que acompanho desde os primórdios da minha vida. Pois bem, farei um resumo de sua vida louca, vida breve porém imensa… Sim, eu usei palavras da canção do Cazuza.
Raul Seixas (1945–1989), carinhosamente conhecido como o “Maluco Beleza”, foi um cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista baiano, amplamente consagrado como o “Pai do Rock Brasileiro”. Ele revolucionou a história da música nacional ao fundir o rock ‘n’ roll clássico norte-americano com a riqueza cultural e os ritmos tradicionais do Nordeste brasileiro, como o baião. Ao longo de 26 anos de carreira, sua obra contestadora, mística e profundamente filosófica quebrou barreiras e formou uma legião de fãs que, até hoje, ecoam o famoso grito de “Toca Raul!” em shows por todo o país.
A carreira de Raul Seixas começou oficialmente em 1962, em Salvador, quando ele fundou a sua primeira banda de rock. Nessa época, ele ainda era conhecido pelo apelido de Raulzito.
Com apenas 17 anos e profundamente obcecado pelo rock ‘n’ roll de Elvis Presley, Raul Seixas juntou-se aos irmãos Délcio e Thildo Gama para criar o grupo Os Relâmpagos do Rock. Eles tocavam em festas locais e faziam covers de artistas americanos. Pouco tempo depois, com mudanças na formação e a descoberta dos Beatles, a banda mudou de nome para The Panthers e, finalmente, Raulzito e os Panteras.
O grupo ganhou fama em Salvador e passou a se apresentar em programas de televisão da região, como na TV Itapoan.
Em 1967, o cantor da Jovem Guarda Jerry Adriani viu os rapazes tocando na Bahia e os convidou para irem ao Rio de Janeiro. A banda aceitou e passou a atuar como o grupo de apoio de Jerry em turnês pelo país. Graças a essa visibilidade, em 1968, conseguiram gravar o seu primeiro álbum de estúdio, autointitulado Raulzito e os Panteras. O disco trazia composições próprias e versões ousadas, como uma adaptação em português de “Lucy in the Sky with Diamonds”, dos Beatles.
Apesar do talento, o álbum de estreia foi um grande fracasso comercial. O público brasileiro da época estava focado na Jovem Guarda e na MPB dos festivais, deixando pouco espaço para o rock mais cru dos Panteras. Os músicos passaram por sérias dificuldades financeiras no Rio de Janeiro, chegando a passar fome. Desiludidos, os membros dos Panteras decidiram abandonar o projeto e retornar para Salvador. Essa fase dura de anonimato e frustração foi eternizada anos mais tarde por Raul na letra de seu grande clássico, “Ouro de Tolo”.
Sozinho no Rio de Janeiro, Raul Seixas não desistiu da música. Em 1968, ele conseguiu um emprego nos bastidores da gravadora CBS (atual Sony Music) como produtor musical. Por trás das mesas de som, Raul foi extremamente bem-sucedido. Ele compôs e produziu dezenas de sucessos para grandes nomes da época, como Jerry Adriani, Trio Nordestino e a cantora Wanderléa. Essa experiência deu a Raul o conhecimento técnico de estúdio e a estabilidade financeira necessários para que ele pudesse, anos depois, redefinir sua própria imagem e estourar definitivamente em carreira solo nos anos 70.
As letras de Raul misturavam humor, autocrítica social, espiritualidade e existencialismo. Ele defendeu conceitos de liberdade total inspirados nas filosofias do ocultista Aleister Crowley. E criou suas composições mais marcantes ao lado de Paulo Coelho.
Suas músicas mais marcantes são: “Metamorfose Ambulante”, “Gita”, “Ouro de tolo”, “Tente outra vez”, “Eu nasci há dez mil atrás”, “Sociedade Alternativa”, “Cowboy fora da lei”.
Raul enfrentou sérios problemas de alcoolismo a sua vida inteira, mas faleceu precocemente no dia 21 de Agosto de 1989, em São Paulo, vítima de uma pancreatite aguda e que foi agravada pela diabetes.
Ele foi, é, e sempre será (para mim) uma estrela. E um dos meus cantores de rock favoritos. Talvez em 1989, ano em que ele morreu, eu não tinha o conhecimento que tenho hoje, mas Raulzito era o cara e sempre será para mim. E viva! Viva! Viva a Sociedade Alternativa!
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