79 Anos do Nascimento de Moraes Moreira.

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Moraes Moreira foi um dos artistas mais revolucionários da Música Popular Brasileira (MPB), consagrado como cantor, compositor, violonista de som inconfundível e o primeiro cantor da história a dar voz a um trio elétrico no Carnaval da Bahia. Nascido em Ituaçu (BA) em 8 de julho de 1947, o músico faleceu em 13 de abril de 2020, aos 72 anos, no Rio de Janeiro, vítima de um infarto agudo do miocárdio. Ao longo de sua trajetória, misturou com genialidade ritmos como o rock, samba, choro, baião, frevo e ijexá.

Moraes Moreira começou sua carreira profissional em 1969, ano em que o grupo Novos Baianos foi oficialmente formado e lançou seu primeiro compacto. O início de sua trajetória foi marcado pela transição do interior baiano para a efervescência cultural de Salvador, impulsionada por parcerias que mudariam a história da música brasileira.

Começou na música ainda criança tocando sanfona em festas de São João. Na adolescência, aprendeu a tocar violão enquanto cursava o ensino científico. Mudou-se para a capital baiana para fazer cursinho pré-vestibular de medicina. Abandonou os estudos tradicionais ao conhecer o poeta Tom Zé e mergulhar na música de vez.

Parceria histórica: Conheceu o letrista Luiz Galvão em Salvador, que se tornou seu principal parceiro de composições. Primeiro show: Em 1969, ao lado de Galvão, Paulinho Boca de Cantor e Baby Consuelo (Baby do Brasil), montou o espetáculo Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio Universal. Esse show marcou a fundação oficial dos Novos Baianos.

Estreia em festivais: Ainda em 1969, o grupo se apresentou no V Festival da Música Popular Brasileira da TV Record com a canção “De Vera”, escrita por Moraes e Galvão, dando o pontapé inicial definitivo na carreira nacional do artista.

A gravação do primeiro disco dos Novos Baianos, chamado É Ferro na Boneca! (1970). O foco era uma mistura explosiva de rock psicodélico, Tropicália e Jovem Guarda. Todas as 13 faixas do álbum foram compostas pela dupla Moraes Moreira e Luiz Galvão. Canções como a faixa-título “Ferro na Boneca” (uma gíria da época para dizer que o ritmo era forte) e “Colégio de Aplicação” traziam uma poesia jovem, irreverente e cheia de colagens sonoras.

No início, o grupo era focado nos vocais e nas letras de Moraes Moreira, Luiz Galvão, Baby Consuelo e Paulinho Boca de Cantor. Para gravar o disco nos estúdios da gravadora RGE, eles chamaram como banda de apoio o grupo baiano Os Leif’s. Foi aí que Pepeu Gomes (na guitarra) e seu irmão Jorginho Gomes (na bateria) entraram na jogada. O entrosamento foi tão absurdo que eles foram integrados em definitivo aos Novos Baianos logo depois.

Embora o disco tenha feito um sucesso moderado e aberto as portas do mercado nacional para eles, os próprios integrantes sentiam que ainda estavam procurando sua verdadeira identidade musical. Faltava aquela malandragem brasileira que explodiu dois anos depois no álbum Acabou Chorare (1972), após os ensinamentos acústicos de João Gilberto. A obra foi eleita pela revista Rolling Stone Brasil como o maior disco da história da música brasileira.

Após deixar o grupo em 1975, Moraes Moreira iniciou uma sólida trajetória individual que resultou em 29 álbuns solo.

Inovação no Trio Elétrico: Em 1975, uniu-se ao trio de Dodô e Osmar, tornando-se a primeira voz a cantar em cima de um trio elétrico. Até então, as apresentações carnavalescas de rua eram estritamente instrumentais.

Grandes Sucessos: “Preta Pretinha”, “Festa do Interior”, “Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira”, “Pombo Correio”, “A Menina Dança” e “Sintonia”.

O último Carnaval de Moraes aconteceu em fevereiro de 2020 na Bahia. No dia 21 de fevereiro, ele se apresentou no Largo do Pelourinho, em Salvador. Embora sua voz já não tivesse a potência de outrora, ele arrastou uma multidão fantasiada, proporcionando o que os fãs presentes descreveram como uma “linda e emocionante despedida” das ruas baianas.

Exatamente um mês antes de morrer, no dia 13 de março de 2020, Moraes Moreira fez o último show de sua vida no Clube Manouche, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro. O show se chamava “Elogio à Inveja – Canções que eu gostaria de ter feito”.

O repertório: Em formato intimista de voz e violão, ele decidiu não focar nos seus próprios sucessos e cantou obras de outros autores que admirava, como Lupicínio Rodrigues.

No dia seguinte ao show no Rio de Janeiro, Moraes Moreira entrou em isolamento social severo em seu apartamento na Gávea devido ao início da pandemia da Covid-19. Mesmo sozinho, ele não parou de produzir. O artista passou seus últimos dias escrevendo textos de cordel e compondo músicas inéditas no violão. Em suas últimas postagens nas redes sociais, ele chegou a compartilhar com o público um poema sobre o momento delicado que o mundo enfrentava.

O músico faleceu inesperadamente em 13 de abril de 2020, aos 72 anos, no Rio de Janeiro, após sofrer um infarto agudo do miocárdio enquanto dormia.

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