Comércio mineiro ganha força em junho e supera desempenho nacional 

Economia

Minas Gerais encerrou o primeiro semestre de 2026 com um desempenho positivo no comércio, impulsionado principalmente pelo varejo ampliado. Os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) referente ao mês de junho, realizadas pelo IBGE e analisados pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG, mostram que, em junho, o volume de vendas do comércio varejista restrito (supermercados, farmácias, vestuário e combustíveis) avançou 2,0% no Estado, enquanto o comércio ampliado (veículos, motos, partes e peças, material de construção, a atacado especializado como produtos alimentícios, bebidas e fumo) cresceu 2,3%. Nos dois indicadores, Minas superou o resultado nacional, que registrou altas de 0,5% e retração de 1,0%, respectivamente.

O resultado chama atenção porque ocorre em um cenário de recuperação ainda desigual entre os segmentos. No varejo restrito, o avanço de junho foi sustentado principalmente por atividades de consumo recorrente e ligadas às necessidades das famílias. Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram 2,5%, enquanto artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos tiveram alta de 11,3%. “O consumidor mineiro demonstra capacidade de sustentar o consumo em categorias essenciais, mas continua fazendo escolhas mais seletivas. O crescimento concentrado em segmentos como alimentação e saúde mostra que a recuperação não ocorre de maneira uniforme em todo o varejo”, avalia a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves.

Na comparação com junho de 2025, o comércio restrito mineiro cresceu 2,3%, abaixo dos 2,9% registrados no Brasil. Entre os destaques estaduais estão equipamentos de informática e comunicação, com forte expansão de 40,8%, artigos farmacêuticos, com alta de 11,3%, e livros e papelaria, que avançaram 4,0%. Na outra ponta, tecidos, vestuário e calçados recuaram 8,5%, enquanto combustíveis e lubrificantes tiveram queda de 2,8%.

A fotografia do primeiro semestre reforça essa heterogeneidade. De janeiro a junho, o comércio restrito mineiro acumulou alta de 1,0%, abaixo do crescimento de 1,9% registrado no país. O desempenho estadual foi beneficiado por equipamentos de informática e comunicação, que cresceram 41,2%, outros artigos de uso pessoal e doméstico, com alta de 11,8%, e artigos farmacêuticos, com avanço de 7,3%. Em contrapartida, vestuário e calçados caíram 5,8%, móveis e eletrodomésticos recuaram 4,0%, livros e papelaria tiveram baixa de 3,5% e combustíveis diminuíram 2,6%.

Para Fernanda Gonçalves, os números indicam que o comportamento das famílias continua relacionado à renda disponível e às condições de crédito. “Os dados mostram uma diferença importante entre os segmentos. Enquanto atividades mais ligadas às necessidades básicas apresentam maior capacidade de sustentação, bens que dependem mais da renda discricionária e do crédito seguem com desempenho menos expressivos. Isso sinaliza um consumidor presente no mercado, mas mais cuidadoso na hora de decidir onde gastar”, explica.

É no comércio ampliado, porém, que Minas Gerais apresenta seu principal diferencial em relação ao país. Em junho, o indicador avançou 2,3% no Estado, diante de uma queda de 1,0% no Brasil. O resultado mineiro foi fortemente influenciado pela alta de 21,4% nas vendas de veículos, motocicletas, partes e peças e pelo crescimento de 29,0% do atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo. No cenário nacional, veículos recuaram 1,5% e material de construção caiu 3,5%.

Na comparação anual, o desempenho do comércio ampliado mineiro também foi expressivo: alta de 8,4%, contra 4,9% no Brasil. Veículos e motocicletas avançaram 21,4% e o atacado especializado em alimentos e bebidas cresceu 29,0%, compensando a queda de 4,2% em material de construção.

O desempenho acumulado confirma a força do varejo ampliado em Minas Gerais. No primeiro semestre de 2026, o setor cresceu 4,5%, mais que o dobro da expansão nacional, de 1,9%. Os principais motores foram o atacado especializado em alimentos e bebidas, com alta de 18,0%, e veículos e motocicletas, que cresceram 9,7%. Já no acumulado de 12 meses, Minas registra avanço de 2,8%, contra 0,8% no Brasil. “O segundo semestre já indica um início positivo: o comércio ampliado apresenta crescimento mais disseminado e, principalmente, setores com forte capacidade de movimentar outras atividades da economia estão contribuindo para esse resultado. O desempenho de veículos e do atacado de alimentos ajuda a explicar o motivo pelo qual o Estado vem apresentando uma trajetória superior à média nacional”, observa Fernanda.

Os números, no entanto, não significam que todos os segmentos estejam em trajetória de recuperação. Nos últimos 12 meses, enquanto artigos farmacêuticos acumulam alta de 11,0% e outros artigos de uso pessoal e doméstico avançam 9,7%, atividades como vestuário, móveis e eletrodomésticos, livros e papelaria e supermercados permanecem no campo negativo. O cenário mostra que a recuperação do comércio mineiro segue dependente da composição da demanda e das condições financeiras das famílias e das empresas.

A leitura da Fecomércio MG é de que o varejo mineiro entra no segundo semestre com sinais favoráveis, sobretudo pelo desempenho do comércio ampliado, mas ainda enfrenta desafios relacionados ao consumo de bens mais dependentes de crédito e renda disponível. “O resultado é positivo e mostra resiliência do comércio mineiro, mas é importante evitar uma leitura homogênea. A atividade cresce em ritmo diferente entre os segmentos, e a sustentação desse movimento dependerá da capacidade de manutenção da renda, das condições de crédito e da confiança dos consumidores ao longo dos próximos meses”, conclui a economista.

Sobre a Fecomércio MG

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.

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