Mercado de aluguel de vestidos acompanha mudança no consumo

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CEO da Elegance Vestidos de Festa, Ana Carolina Bernicchi analisa como novos hábitos de consumo impulsionam o setor

O aluguel de vestidos de festa voltou a ganhar espaço entre consumidoras brasileiras. Depois de um período em que a compra passou a ser prioridade para muitas mulheres, principalmente pela ideia de ter uma peça própria para guardar ou reutilizar em outras ocasiões, a locação recupera força com um perfil diferente de cliente. 

A decisão, que antes costumava estar ligada principalmente ao orçamento, hoje reúne fatores como praticidade, planejamento financeiro, sustentabilidade e a possibilidade de usar modelos sofisticados sem a necessidade de adquiri-los definitivamente.

A mudança acompanha um comportamento que também pode ser observado em outros setores da economia. Serviços por assinatura, plataformas de hospedagem, mobilidade compartilhada e aluguel de diferentes produtos mostram que o consumidor passou a avaliar com mais atenção quando vale a pena comprar e quando faz mais sentido apenas utilizar.

No mercado de festas, essa lógica encontra um cenário favorável. Dados da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape) mostram que o consumo no setor de cultura e entretenimento alcançou R$12,61 bilhões em janeiro de 2026, o maior resultado para o mês desde o início da série histórica da entidade. 

O crescimento acompanha a retomada e a expansão de casamentos, formaturas, aniversários, eventos corporativos e celebrações em todo o país, aumentando a procura por vestidos destinados a ocasiões especiais.

Segundo Ana Carolina Bernicchi, CEO e advogada da Elegance Vestidos de Festa, a forma como as clientes enxergam o aluguel mudou bastante nos últimos anos.

“Houve um período em que muitas mulheres faziam questão de comprar o vestido porque queriam guardar aquela peça como lembrança ou acreditavam que voltariam a usá-la em outras ocasiões. Hoje percebemos um comportamento diferente. A lembrança continua existindo, mas ela está nas fotografias, na experiência vivida e no momento especial. O vestido deixa de ser um item que precisa permanecer no armário.”

Essa mudança também acompanha uma relação mais consciente com o consumo. Em vez de investir um valor elevado em uma peça que poderá ser utilizada apenas uma vez, muitas consumidoras preferem direcionar esse recurso para outros aspectos do evento ou simplesmente fazer uma escolha que consideram mais inteligente financeiramente.

Além do custo-benefício, o aluguel permite acesso a vestidos confeccionados com tecidos nobres, bordados, modelagens exclusivas e coleções assinadas por estilistas que, muitas vezes, estariam fora do orçamento em uma compra definitiva.

“O aluguel deixou de ser visto apenas como alternativa para economizar. Hoje ele representa liberdade de escolha. A cliente consegue usar um vestido adequado para cada ocasião, experimentar estilos diferentes e contar com uma consultoria especializada durante todo o processo”, afirma Ana Carolina.

As redes sociais também influenciaram essa transformação. Fotografias e vídeos passaram a fazer parte da memória dos eventos e estimularam muitas mulheres a buscar produções diferentes para cada celebração. Ao mesmo tempo, o acesso constante às tendências fez crescer o interesse por peças atuais, sem que isso significasse aumentar o número de vestidos guardados em casa.

Para a empresária, esse comportamento mostra que o conceito de luxo também mudou.

“Existe uma valorização maior da experiência. A cliente quer ser bem atendida, encontrar um vestido que combine com sua personalidade e aproveitar aquele momento com segurança. Ter a peça no guarda-roupa deixou de ser a principal preocupação.”

A sustentabilidade aparece como outro fator importante nessa discussão. Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostram que o mundo gera cerca de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano. O setor da moda também está entre os grandes consumidores de água e matérias-primas, o que tem incentivado modelos baseados na economia circular, como aluguel, revenda e reutilização de peças.

Especialistas destacam que ampliar o tempo de uso de uma roupa reduz a necessidade de produção de novos itens e contribui para diminuir o desperdício de recursos naturais. No caso dos vestidos de festa, que normalmente são utilizados poucas vezes, esse impacto pode ser ainda mais significativo quando existe uma operação organizada de conservação e reutilização das peças.

Outra mudança percebida pelas empresas do setor está relacionada ao atendimento. Se antes a procura era concentrada na escolha do vestido, hoje as consumidoras valorizam orientação sobre modelagem, tipo de evento, horário da cerimônia, caimento e ajustes personalizados.

“A cliente chega muito mais informada do que há alguns anos. Ela pesquisou referências, acompanhou tendências e sabe o que gosta. Nosso papel é transformar essas inspirações em uma escolha que funcione para o corpo, para o estilo e para o evento. Essa consultoria faz toda a diferença na experiência”, finaliza a CEO da Elegance Vestidos de Festa.

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