Bia Villa-Chan transforma história de relacionamento tóxico em “Chora, Mané”, primeiro sertanejo romântico da carreira

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Composta por Léo Gomes a partir de uma experiência vivida pela artista, faixa chega às plataformas nesta quinta-feira (17); clipe, gravado em São Paulo, estreia no dia 18

“Quando eu te ligava, você rejeitava. Quando eu insistia, você bloqueava.” Os versos poderiam ter saído de uma conversa entre amigas depois de um relacionamento que deu errado. No caso de Bia Villa-Chan, saíram de uma história que ela própria viveu, e que agora ganhou música. Nesta quinta-feira, 17 de setembro, a cantora e multi-instrumentista pernambucana lança “Chora, Mané”, primeiro sertanejo romântico de sua carreira. No dia seguinte, 18, será a vez do videoclipe, gravado em São Paulo.

Composta por Léo Gomes e produzida por Luciano Aguiar, a faixa nasceu depois de uma conversa de estúdio. Enquanto trabalhava no álbum “Perde Esse Medo”, Bia falou sobre um antigo relacionamento marcado por rejeições, insistências e situações que, à época, demorou a entender que não precisava aceitar.

Léo estava no estúdio e ouviu a história. Tempos depois, voltou com uma música. “Quando ele me mandou, eu fui reconhecendo situações muito específicas. Eu realmente ligava e tinha ligação rejeitada, insistia e era bloqueada. Eu amava aquela pessoa e durante um tempo achei que precisava aceitar certas coisas por causa desse sentimento. Então não era simplesmente uma letra que tinha chegado para eu gravar. Tinha um pedaço da minha vida ali”, conta Bia.

Apesar da origem dolorosa, “Chora, Mané” passa longe de ser uma canção sobre permanecer no sofrimento. A letra começa recuperando a frustração de quem esperou, insistiu e não foi correspondida, mas rapidamente muda de direção. No refrão, quem antes corria atrás já seguiu em frente: “Fica chorando aí quietinho, mané / Eu tô feliz, eu tô de boa / Nunca maltrate mais uma mulher / Já tô amando outra pessoa.”

É justamente essa virada que fez Bia se identificar com a composição. “Hoje eu consigo olhar para aquilo de outro lugar. Eu saí daquela relação, segui a minha vida e depois encontrei um amor que me mostrou uma relação leve, bonita e recíproca. Então, quando canto essa música, não fico revivendo a dor. Eu lembro muito mais da mulher que conseguiu dizer ‘chega’ e seguir em frente. E ainda tem esse deboche do ‘chora, mané’, que tem muito a ver comigo”, diz, aos risos.

Do instrumental ao sertanejo romântico

“Chora, Mané” também provoca uma mudança interessante quando colocada ao lado dos trabalhos pelos quais Bia se tornou conhecida. Pernambucana e multi-instrumentista, ela construiu sua trajetória transitando por guitarra, guitarrada, guitarra baiana e bandolim, além de uma forte relação com a música e a cultura popular nordestina. Sua performance instrumental se tornou uma das marcas de sua presença nos palcos, na televisão e nas redes sociais.

O sertanejo romântico, até agora, não fazia parte desse repertório. A escolha de “Chora, Mané” não significa deixar os instrumentos ou a identidade musical que Bia construiu pelo caminho. Para ela, significa acrescentar uma possibilidade: colocar a interpretação vocal mais à frente e mostrar uma faceta que nem sempre recebeu o mesmo espaço.

“Durante muito tempo as pessoas me reconheceram primeiro como instrumentista, e isso é uma conquista enorme para mim. Eu amo pegar a guitarra e tocar. Só que eu também canto, interpreto, componho, tenho outras possibilidades como artista. ‘Chora, Mané’ me tira um pouco desse lugar que o público já conhece e me coloca diante de um desafio novo. Acho gostoso poder surpreender sem precisar abandonar quem eu sou”, explica.

A produção de Luciano Aguiar acompanha justamente essa mudança de ambiente musical. A proposta foi levar Bia ao sertanejo romântico sem transformar a gravação em uma ruptura artificial com sua personalidade.

Clipe foi gravado em São Paulo

A nova fase também ganhou registro audiovisual. Durante uma passagem recente por São Paulo, Bia entrou em estúdio para gravar a música e aproveitou a agenda na capital paulista para produzir o videoclipe de “Chora, Mané”.

O vídeo será lançado na sexta-feira, 18 de setembro, um dia depois de a faixa chegar às plataformas digitais, e amplia visualmente a história de ruptura e recomeço apresentada na composição.

A viagem a São Paulo ainda reuniu compromissos profissionais, reuniões e encontros relacionados aos próximos projetos da artista, entre eles uma agenda com Leandro Voz, professor e treinador vocal conhecido também pelas análises de performances de cantores nas redes sociais.

Para Bia, “Chora, Mané” chega menos como uma tentativa de trocar de gênero e mais como um sinal do que pretende fazer daqui para frente: ampliar o espaço para todas as suas possibilidades dentro da música.

“Eu não quero precisar escolher entre ser cantora ou instrumentista. Quero que as pessoas entendam que uma coisa não anula a outra. Posso estar com uma guitarra fazendo uma guitarrada e depois entrar no estúdio para interpretar um sertanejo romântico. No fim, tudo isso sou eu”, resume.

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