Análise “Cidade; Campo” (2024)

Critica de Filmes Terror

Em seu quarto longa-metragem “Cidade Campo” (2024), a diretora paulista Juliana Rojas, comprova ser, sem dúvida, o principal expoente do chamado “terror social” no Brasil.

Autora dos já clássicos: “Trabalhar Cansa” (2011), “Sinfonia da Necrópole” (2014) e “As Boas Maneiras” (2017), em parceria com seu ex-colega de faculdade, Marco Dutra; neste seu primeiro, digamos assim, vôo solo, Juliana Rojas, reforça e resignifica, dois pilares básicos de sua cinematografia até aqui: a questão do luto e também à contundente crítica/sátira à precarização das relações de trabalho no mundo contemporâneo.

Mas há, também, em “Cidade; Campo”, uma novidade no que diz respeito ao gênero escolhido, pois, este novo longa, é muito mais um drama, embora ainda haja elementos de terror.

No primeiro episódio/segmento do filme, temos como protagonista, uma sobrivente da tragédia (real) ocorrida em Brumadinho (MG) que vem a São Paulo, para, ao lado de sua irmã, aqui já residente, tentar reconstruir sua vida. Porém, ela logo esbarra nas dificuldades impostas pela selva de pedra, ao tentar entrar no mercado de trabalho local, como diarista, tendo que se submeter à impessoalidade e ausência de garantias, característica do atual contexto urbano, hoje, refém dos incontáveis aplicativos de prestação de serviços.

Em resumo, eis uma impagável sátira/crítica à chamada “uberização” do mercado de trabalho contemporâneo e do mito do “empreendedor de si mesmo”.

Já no segundo segmento/ episódio de “Cidade; Campo”, temos uma jovem mulher, retornando às suas origens no campo e tendo que lidar com a recente perda do pai (proprietário do sítio ao qual ela herdou), ao lado de sua também jovem companheira.

Embora eu, particularmente, considere este segundo episódio, inferior ao primeiro, há questões interessantes, nele abordadas, tais como a reconexão com a natureza e ancestralidade. E também merece destaque, a ótima atuação de Bruna Linzmayer (“Virtuosas”, 2025), como a companheira da protagonista.

Ainda que, um tanto irregular na transição entre episódios, “Cidade; Campo”, apresenta uma boa tentativa de transição de gênero cinematográfico na carreira de Juliana Rojas, mas, felizmente, sem perder sua principal marca, que é a relevância de sua sempre inteligente e acessível crítica/análise do mundo contemporâneo e suas mazelas.

O elenco também conta com Fernanda Vianna, Mirella Façanha, Brenda Lígia, Preta Ferreira, Marcos de Andrade, Andrea Marquee, Nilcéia Vicente, Kalleb Oliveira, Felipe Kenji, Majeca Angelucci, Rita Niza, Maia de Paiva

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