ANÁLISE A República (2017)

Critica de Filmes

A República foi uma obra que me trouxe recordações muito felizes. Durante o filme, diversas referências de produções que fizeram parte da minha experiência com o audiovisual brasileiro começaram a surgir, principalmente as famosas webséries que ganharam bastante força na internet durante os anos de 2017 e 2018.

Também encontrei algumas semelhanças com a saudosa Malhação, principalmente pela proposta de reunir diversos jovens em um mesmo espaço e acompanhar seus conflitos, relacionamentos, dificuldades de convivência e sonhos.

E acredito que seja justamente essa mistura que torna a experiência interessante.

A história apresenta diferentes jovens vivendo sob o mesmo teto e enfrentando problemas bastante distintos. Temos, por exemplo, um personagem que deixa a casa dos pais para começar uma nova etapa da vida na república.

Ao mesmo tempo, acompanhamos jovens que trabalham e tentam construir uma carreira no meio artístico, mas que ainda dependem de bicos e trabalhos como figurantes para conseguir se manter.

Essa realidade dá à obra uma camada interessante, porque, por trás da comédia e das situações de convivência, existe uma representação de jovens tentando encontrar seu espaço no mundo.

Eles possuem sonhos, mas ainda não alcançaram a estabilidade necessária para transformar essas aspirações em uma carreira consolidada.

E a graça está justamente em acompanhar como cada um deles lida com essas dificuldades.

Como conseguem pagar suas contas? Como convivem com pessoas completamente diferentes? Como administram seus relacionamentos? Como continuam perseguindo seus objetivos mesmo quando as condições não são as melhores?

A república acaba funcionando como um ponto de encontro para todas essas histórias.

Ao mesmo tempo, existe uma característica da produção que me chamou bastante a atenção: a sensação de que A República poderia ter sido pensada como o início de uma série com mais episódios.

A obra tem 34 minutos de duração, mas apresenta muitos personagens e diversos arcos narrativos diferentes. Isso me passa a impressão de que existe um universo muito maior por trás daquele primeiro capítulo.

E talvez esse seja também o principal problema que o diretor Waldezique Agapio tinha em mãos: como apresentar tantos personagens e tantas histórias em pouco mais de meia hora?

Em alguns momentos, a quantidade de acontecimentos pode confundir um espectador que esteja assistindo à obra pela primeira vez.

São muitos personagens sendo apresentados, diferentes conflitos acontecendo simultaneamente e relações que precisam ser estabelecidas rapidamente.

O resultado é que alguns arcos acabam passando por nós de maneira muito acelerada.

Porém, levando em consideração a possibilidade de que a produção tenha sido concebida como uma espécie de prólogo para uma história maior, essa característica não chega a comprometer completamente a experiência.

Na verdade, existe uma sensação de que estamos conhecendo aquele universo e seus personagens antes de uma história que poderia se desenvolver posteriormente.

Outro ponto que considero muito positivo é o ritmo.

A República possui uma dinâmica bastante agradável e, em vários momentos, me fez lembrar as sitcoms nacionais que fizeram sucesso principalmente nos anos 2000 e no início da década seguinte.

Existe aquela estrutura de personagens com personalidades diferentes convivendo em um mesmo ambiente e, naturalmente, criando situações de conflito, humor e confusão.

Esse tipo de narrativa funciona justamente porque o ambiente se torna tão importante quanto os próprios personagens.

A casa não é apenas o lugar onde eles vivem. Ela é o espaço onde seus problemas se encontram.

Um personagem pode estar enfrentando uma dificuldade profissional enquanto outro está lidando com um relacionamento, e outro ainda está tentando descobrir o que fazer da própria vida.

Quando todas essas histórias se cruzam, surgem as situações responsáveis pelo humor da produção.

É uma fórmula simples, mas que pode funcionar muito bem quando existe química entre os personagens.

E acredito que A República consegue cumprir essa proposta.

O maior obstáculo está realmente no tempo disponível para desenvolver tudo aquilo que o roteiro apresenta.

Se alguns personagens tivessem mais tempo de tela, acredito que seria possível criar uma conexão ainda maior com suas histórias e personalidades.

Por outro lado, também compreendo que essa velocidade pode ser consequência direta da própria proposta da obra.

É como se o filme precisasse apresentar as peças antes de começar verdadeiramente o jogo.

E talvez seja justamente por isso que fiquei com a sensação de que gostaria de conhecer mais daquele universo.

Queria acompanhar melhor determinados personagens, descobrir como suas histórias continuariam e observar como aquela convivência poderia evoluir.

Mesmo com essas limitações, A República conseguiu algo que considero muito importante em uma produção audiovisual: me fez sentir alguma coisa depois que terminou.

E, no meu caso, foi nostalgia.

A obra me fez lembrar de uma época em que as webséries brasileiras estavam encontrando cada vez mais espaço na internet, além de produções juvenis, séries e filmes que tinham uma linguagem mais simples, descontraída e próxima do público.

Foi uma experiência que despertou aquela sensação de revisitar algo que há muito tempo eu não encontrava.

Por isso, acredito que A República funcione muito bem para quem está procurando uma produção leve, divertida e descompromissada.

Não é uma obra que pretende reinventar o gênero ou apresentar uma narrativa extremamente complexa. Sua proposta é reunir jovens diferentes, colocá-los sob o mesmo teto e acompanhar as confusões que surgem dessa convivência.

E ela cumpre esse objetivo.

Para mim, o maior mérito está justamente nessa simplicidade e na capacidade de despertar uma memória afetiva.

A República é uma produção que carrega o espírito das antigas webséries brasileiras e das histórias juvenis que conquistavam seu público através de personagens, humor e situações cotidianas.

Apesar da quantidade de personagens e do ritmo acelerado provocado pela necessidade de apresentar tantos arcos em apenas 34 minutos, é uma obra divertida e que deixa vontade de conhecer mais daquele universo.

Se você está procurando algo leve, nostálgico e divertido para assistir sem grandes compromissos, A República pode ser uma ótima escolha.

É uma produção que talvez não entregue tudo o que poderia em seu curto tempo de duração, mas entrega algo que, para mim, também tem muito valor: a sensação boa de lembrar de uma época em que histórias como essa tinham um espaço especial na internet e na televisão brasileira.

Drama e comédia se encontram em uma república que se torna a casa dos sonhos para diferentes jovens, todos reunidos na residência da adorável Regina. Com personalidades e histórias tão distintas, a convivência acaba dando origem a muitas confusões, conflitos e situações inesperadas.

Direção: Waldezique Agapio

Elenco:
Anderson Araújo, Antonia Beatriz, Bianca Martins, Carla Malhares, Douglas Matias, Emanuelle Mourão, Eríck Cola, Fábio Cadorin, Jéssica Salty, Keila Nuclecia, Kleber Nunes, Leandro Bernardo, Maria Elisa Azevedo, Mariana Floriani, Michele Pombo, Nathalia Mendes, Rodolfo Souza, Thalyson Silva, Tiago Aguiar, Tulio Schuelter e Victor Forgane

filme disponível na plataforma da UnivFilms:https://theunivfilms.com

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