Análise do filme: O Exorcista (1973)

Critica de Filmes Terror

By Andréia Rodrigues . Terror/Mistério ‧ 2h 2m




Hoje é dia de falar de um clássico dos clássicos, O Exorcista de Willian Friedkin. Todos os fãs de terror se não viram já ouviram falar, ou viram cenas ou imagens do filme nas redes sociais.

Sinopse:

“Atriz vai gradativamente tomando consciência de que a sua filha de 12 anos está tendo um comportamento completamente assustador. Ela decide pedir ajuda a um padre, que também é um psiquiatra, e ele chega à conclusão de que a garota está possuída pelo demônio. Ele solicita a ajuda de um segundo sacerdote, especialista em exorcismo, para tentar livrar a menina desta terrível possessão.”

O filme clássico O Exorcista (1973) é baseado no romance homônimo O Exorcista, escrito por William Peter Blatty e publicado em 1971.

Sobre o livro e a inspiração real

  • O Autor: William Peter Blatty também foi o roteirista da adaptação cinematográfica de 1973, dirigindo por William Friedkin, o que garantiu grande fidelidade à obra original.
  • A História Real: Embora o livro seja uma obra de ficção, Blatty inspirou-se em um caso real amplamente noticiado em 1949: o exorcismo de um garoto de 14 anos (identificado pelo pseudônimo Roland Doe) que passou por dezenas de rituais religiosos nos Estados Unidos.
  • Diferenças Principais: O livro aprofunda mais os dilemas existenciais sobre a fé, o relacionamento entre os personagens secundários (como o Padre Karras e o detetive Kinderman) e traz mais detalhes sobre a investigação inicial antes do ritual.

Iniciamos ao ver a obra, o personagem do padre Merrin (Max von Sydon), fazendo uma escavação no Oriente Médio, como Indiana Jones, e lá o religioso encontra a estátua de Pazuzu (demônio da mitologia Mesopotâmica, conhecido também como Demônio rei dos ventos), então temos uma expressão forte no rosto do personagem.

De forma simultânea, já vamos para o núcleo que mostra a atriz Chris MacNeil (Ellen Burstyn) e sua filha Regan (Linda Blair) vivendo suas vidas, nos apresentando a vida familiar dessas duas personagens e seus funcionários e amigos, para que possa ser mais marcante quando tudo começa a desmoronar.

E por fim, somos apresentados ao núcleo do padre Damien Karras (Jason Miller), onde acompanhamos a sua fé despencando, pela tristeza de acompanhar os problemas da profissão de padre e psiquiatra, e o problema de cuidar da mãe idosa que mora longe, e suas finanças não conseguem trazê-la para mais perto, nem coloca-la em um lugar melhor para morar.

Todos esses núcleos começam a se unir, quando a jovem Regan começa a ter atitudes estranhas, começa a ficar aérea, depois começa a a falar palavras ofensivas, agindo totalmente diferente do que tínhamos acompanhado até o momento. A princípio os médicos acham que podem ser problemas hormonais, e exames cada vez mais profundos são feitos na menina para encontrar a razão da mudança comportamental.

Vamos citar aqui que um dos maiores temores que levou muitos a sair do cinema na apresentação da obra, foram as que nos mostram os exames, os efeitos práticos são sensacionais, o exame feito na carótida da menina causa nervoso até hoje. Depois de vários exames, nada é encontrado. Então o que fazer?

Chris deixa bem claro que é ateia, e com toda essa situação que vai escalonando de forma indescritível, ao ponto dela procurar um padre que ela havia visto próximo da locação onde estava gravando um filme.

Mas, enquanto isso vemos Karras enfrentando a morte de sua mãe, e sofrendo por não ter conseguido salvá-la de alguma forma, se sentindo culpado por não estar lá quando ela faleceu.

Ao ser procurado por Chris, Damien Karras deixa bem claro que provavelmente a menina está com um problema psiquiátrico, como muitos casos que ele já acompanhou, mas vendo o desespero da mãe, resolve fazer uma visita e conhecer Regan.

A menina não é mais aquela criança que vimos no início da película, apresenta agora uma imagem tenebrosa, com falar repulsivas e assustadoras, o que leva o padre a fazer testes para que a igreja aceite a prática do Exorcismo. Diferente do que é mostrado em filmes picaretas hoje em dia, aqui é bem apresentado que essa prática é extremamente perigosa, tanto para a pessoa que faz o exorcismo como para o possuído, uma prática antiga e séria.

Após ser testemunha de várias provas da possessão, e da dúvida que o demônio que possui a menina ter matado um amigo da família temos então o início do Exorcismo.

Temos a apresentação do padre Merrin, com a emblemática cena de sua chegada utilizando chapéu, uma maleta, sendo seguido pela luz na forte escuridão.

Acompanhamos agora o ritual do exorcismo, onde Merrin inicia suas falas e Karras responde, onde o principal é a fé e nunca ouvir a lábia do maldito demônio que tenta desestruturar os dois religiosos, com falas sujas e mentiras, atacando a fé e o coração deles.

Todas as cenas a partir do início do ritual são incríveis, e nos deixam tensos e com medo pelos personagens. É muito interessante como o filme dá personalidade a todos os personagens que aparecem, o padre Dyer (Willian O’Malley) é jovial, gosta de fumar, tocar piano, cantar e ver filmes no cinema. O personagem do Tenente Kinderman (Lee J. Cobb) que gosta muito de cinema e sempre está a procura de uma amigo para fazer-lhe companhia.

E claro, não vamos esquecer que o tenente Kinderman aparece na trama para investigar a morte do Burke Dennings (Jack MacGowran), que caiu de uma escadaria gigantesca próxima do quarto da menina possivelmente possuída, lembrando que a cabeça de Burke estava virada totalmente para trás, como se alguém tivesse quebrado de propósito.

Essa obra cinematográfica é muito especial, trás uma possessão que não tem uma explicação clara do por que aconteceu, trás cenas de exames clínicos muito reais, palavas e gestos obscenos são mostrados por uma criança (mesmo apresentando um dublê em cenas mais fortes, como a do crucifixo), e efeitos e maquiagens até hoje lembradas.

A icônica maquiagem de Regan MacNeil (interpretada por Linda Blair) no clássico O Exorcista (1973) foi criada pelo lendário maquiador de efeitos especiais Dick Smith, um marco do cinema de terror que utilizou técnicas de efeitos práticos e próteses.

Como era feita a caracterização no filme:

  • Próteses e Látex: A equipe de Dick Smith aplicava camadas de próteses em látex e outros materiais diretamente no rosto da jovem atriz para criar o aspecto deformado, envelhecido e cadavérico.
  • Lentes de Contato: Linda Blair usava lentes de contato especiais e desconfortáveis para dar o tom assustador aos olhos da personagem.
  • Tempo na Cadeira: A aplicação da maquiagem era um processo desgastante que levava entre 2 a 5 horas por dia, deixando a atriz praticamente imobilizada durante a preparação.
  • Efeitos Práticos: Todo o terror visual era real e físico no set, incluindo feridas, tons pálidos de pele e marcas profundas.

A trilha sonora do filme O Exorcista (1973) é uma das mais icônicas e perturbadoras da história do cinema, combinando rock progressivo e música clássica de vanguarda.

Tema Principal: “Tubular Bells”

  • Compositor: Mike Oldfield
  • Detalhes: O famoso e tenso tema de piano que abre o filme e se tornou sinônimo de terror é o primeiro movimento do álbum de rock progressivo instrumental Tubular Bells.

Outras Músicas e Compositores Clássicos

O filme também utiliza obras de compositores de música clássica contemporânea/vanguarda que trazem uma atmosfera claustrofóbica e agonizante:

  • Krzysztof Penderecki: Peças como “Kanon for Orchestra and Tape”, “Polymorphia” e “String Quartet”.
  • Hans Werner Henze: “Fantasia for Strings”.
  • Jack Nitzsche: Responsável por arranjos e pela faixa “Iraq” (interpretada pela National Philharmonic Orchestra, regida por Leonard Slatkin).

A Trilha Sonora Rejeitada

  • Lalo Schifrin: O famoso compositor de Missão: Impossível havia criado uma trilha sonora original para o filme. No entanto, após uma exibição do trailer em que o som assustador e os violinos frenéticos fizeram parte do público passar mal e vomitar, o diretor William Friedkin decidiu descartar o trabalho de Schifrin e optar pelas faixas experimentais que foram para os cinemas.

**** Não vou colocar o final da obra, pois acredito que você que não viu precisa urgentemente assistir e ter sua própria experiência.

O filme original O Exorcista (1973) arrecadou cerca de US$ 441,3 milhões globalmente em bilheteria ao longo de sua exibição e relançamentos, a partir de um orçamento de US$ 12 milhões.

Números Principais

  • Arrecadação Global: Aproximadamente US$ 441,3 milhões
  • Orçamento: US$ 12 milhões
  • Com ajuste da inflação: Estima-se que a bilheteria mundial total da obra ultrapasse US$ 2,9 bilhões (considerando relançamentos históricos).

*************************************************************************************

O clássico O Exorcista (1973), dirigido por William Friedkin, é cercado de histórias bizarras e fatos curiosos:

Bastidores e “Maldição”

  • A lenda da maldição: Durante as filmagens, cerca de 9 mortes ocorreram entre o elenco e parentes próximos, além de vários acidentes.
  • O incêndio no set: Um misterioso incêndio destruiu grande parte dos cenários da casa, mas o quarto da Regan (Linda Blair) foi o único que ficou completamente intacto.
  • Bênção oficial: A atmosfera era tão tensa que o diretor William Friedkin e o autor William Peter Blatty chamaram um padre jesuíta para abençoar o set de filmagem.
  • Segurança reforçada: Linda Blair recebeu tantas ameaças de morte de fanáticos religiosos que a Warner Bros. manteve guarda-costas protegendo a atriz por seis meses após o lançamento.

Efeitos Especiais e Som

  • Voz do demônio: Para criar a voz aterrorizante do demônio Pazuzu, a atriz Mercedes McCambridge gravou falas tragando fumaça, consumindo ovos crues e uísque, e sendo amarrada a uma cadeira. Ela quase não recebeu crédito pelo trabalho.
  • Gritos de animais: Os sons guturais e gritos de Regan durante o exorcismo foram misturados com áudios reais de porcos sendo abatidos em um matadouro.
  • Vômito surpresa: Na famosa cena em que Regan vomita no padre Karras, o jato era para atingir apenas o peito do ator Jason Miller, mas acabou indo direto no rosto dele — a reação de nojo foi 100% real.
  • Frio congelante: O quarto de Regan era refrigerado com ar-condicionado industrial no talo (temperaturas abaixo de zero) para que a respiração dos atores condensasse no ar.

Elenco e Inspiração Real

  • Inspiração da vida real: A história foi baseada no romance de William Peter Blatty, que por sua vez se inspirou em um caso real de exorcismo ocorrido em 1949, envolvendo um garoto de 13 anos em Maryland.
  • Lesão permanente: A atriz Ellen Burstyn sofreu uma lesão séria na coluna durante a gravação da cena em que é jogada para trás por Regan; o grito de dor que aparece no filme é verdadeiro e resultou em um problema crônico nas costas.
  • Premiação: O longa fez história no Oscar de 1974, recebendo 10 indicações e levando as estatuetas de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Mixagem de Som.

Você que acabou de ler a análise curtiu? já assistiu a essa obra cinematográfica?

O elenco principal do filme O Exorcista (1973), organizado em ordem alfabética pelo nome do ator:

Loading

Compartilhe nosso artigo

3 thoughts on “Análise do filme: O Exorcista (1973)”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *