Pai: “Qual a sua primeira memória?” Filha: “a Disneylândia”. Pai: “A minha primeira memória de infância, é a prisão”.
Assim falou, o protagonista de “Rheingold – O Roubo do Sucesso” (2022), o novo filme de Fatih Akin que, pra variar, é um autêntico soco no estômago.
O já lendário diretor/roteirista alemão de ascendência turca, responsável pelo excelente “Contra a Parede” (2004) e pelo quase tão bom “O Bar Luva Dourada” (2019), acerta mais uma vez, em seu característico estilo cru e violento, mas sempre também marcado por ótimos roteiros e competente desenvolvimento de personagens.
Obs: a já citada crueza e violência “justificada” que, quase sempre caracteriza o cinema de Akin, de certo modo, pode até aproxima-lo, em certa medida, do cinema policial norte-americano, mas jamais espere ver em seus filmes, um ritmo convencional, inclusive, em termos de desenvolvimento da trama/narrativa. Pois o cinema (estilo) de Akin é algo muito particular, quase único.
Obs 2: talvez a única ressalva a ser feita em relação a “Rheingold”, seja sua duração um tanto excessiva (2 horas e 19 minutos), mas em termos gerais, trata-se de um filme, quase irrepreensível. E que nos demonstra, algo que, apesar de óbvio, costuma ser negado por aí: não é com “good vibes” e “gratiluz” que se combate com eficiência, o ódio e a intolerância irrefreaveis.
No elenco Emilio Sakraya, Mona Pirzad, Hussein Eliraqui, Julia Goldberg, Sogol Faghani, Doga Gürer, Samir Gebreli, Loretta Stern, Felix Bold.
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