O mais recente trabalho do diretor goiano, Fábio Meira, “Mambembe”, se trata de um interessante e singelo misto de documentário e cinema ficcional, onde a fronteira entre o que é realidade ou ficção, é sempre muito tênue e justamente nisso, em grande parte, reside a beleza do filme em questão.
Acompanhamos em “Mambembe”, a trajetória da ex- artista circense e, hoje, proprietária de seu próprio circo, Índia Morena e também da dançarina circense, Madonna Show.
Ambas extremamente carismáticas e determinadas, Índia Morena e Madonna Show, interpretam a si próprias no filme. E, verdade seja dita, embora não possuindo qualquer experiência anterior como atrizes, seu desempenho é mesmo surpreendente.
A dançarina de bambolê, Jéssica, por sua vez, embora também inspirada numa personagem real, é interpretada pela atriz Dandara Ohana Guerra. O topógrafo Luís (único personagem fictício da trama, embora inspirado, em parte, no pai do diretor), é interpretado pelo renomado ator Murilo Grossi.
Afinal, nada mais coerente a uma trama (história) que mistura realidade e ficção, do que também combinar em seu elenco de forma bastante equilibrada, atores profissionais e não-atores, vivendo a si próprios.
Pois, o resultado obtido, é uma veracidade e singeleza, raramente vista em filmes 100% ficcionais e com elenco “profissional”, onde, na maioria das vezes, vemos muito mais em cena, a própria figura do ator, ao invés do personagem, propriamente dito.
Inclusive, é mesmo impossível assistir a “Mambembe” e, sobretudo, caso você tenha, ao menos, mais de 40 anos, não despertar sua memória afetiva em relação à época em que o ato de ir ao Circo, fazia parte de nosso cotidiano.
Ao conversar, brevemente, com todo o elenco, após a sessão de cabine de imprensa, não por acaso, perguntei a todos os atores e também ao diretor/roteirista, a respeito de suas respectivas memórias afetivas em relação ao circo.
E, para minha surpresa, não apenas Índia Morena e Madonna Show, figuras ligadas ao universo circense, ao longo de toda a sua vida; não apenas elas, mas também Dandara Ohana e Murilo Grossi, além do diretor Fábio Meira, me presentearam com lindos depoimentos a respeito de suas respectivas memórias afetivas e histórias relacionadas à presença do Circo em suas vidas.
Sensível, original do ponto de vista narrativo e, sobretudo, um registro de um de um Brasil que, gradualmente, se aproxima de não mais existir, “Mambembe” estreia nos cinemas de todo o país, na próxima quinta-feira (14/05) e, sem dúvida, merece ser visto.
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