Nos primeiros passos da educação, os pais ensinam aos filhos as regras básicas de sobrevivência. Isso pode, isso não pode, bom, ruim, dia, noite. Amigo, inimigo. O básico é binário.
Quando amadurece, o cérebro aprende nuances, pessoa boa, mas…Isso pode, mas… Aprendemos as noções de harmonia, equilíbrio, dosagem.
Alguns adultos, porém, não passam da fase binária. Há suspeitas até que a mente deles regrida para uma espécie de segundo fígado, contaminado por bílis e hormônios da época da adolescência.
Retornam portanto ao estado primitivo da idiotice, do nós contra eles, bem contra o mal, do instinto medieval das Cruzadas e guerras fratricidas. Disparam o ódio das reações mecânicas, bateu-levou, sem processamento cerebral. Proliferam no caldo de cultura das formas primárias de vida, como das bactérias: vença ou morra.
Não é à toa que os desprovidos de intelecto se comparam a cachorrões. Os caninos veem só preto e branco, são movidos por instintos, obedecem sem pensar à ordem de atacar. É um ser humano que congela no estágio de seus impulsos animais.
Embora hoje se conteste o termo civilização, dado aos horrores que a humanidade tem produzido, graças justamente aos que desmerecem as relações humanas, senhores da guerra e da morte.
A dita humanidade produziu, porém, belezas em possivelmente igual medida.
Estamos vivendo aqui neste momento por conta de confortos e remédios inventados ao longo de uma caminhada milenar, conhecimentos sobrepostos. Desde essas letras até as maravilhas da Ciência e da Arte. Produzidas por essa chamada civilização.
O fanatismo costuma reunir coisas diferentes boas e ruins, sob o mesmo rótulo, como dois campos inimigos, dois cães raivosos, dois estúpidos sentados no mesmo barril de pólvora.
O curioso é que a falta de inteligência faz o estúpido acreditar que é melhor que os outros.
Hoje temos um acelerador de fanatismo. O super cérebro eletrônico binário, alimentado por infinitas sequências de 1 e 0, sins e nãos. Com os bilionários binários do compra e compra. Hipnóticos gosto, gosto mais e não paro de gostar. Estímulos instantâneos de prazer imediato e volátil. Produzem indivíduos binários conduzidos em manadas.
Iludidos e cegos pela auto-suficiência, mutilam-se inconscientemente do ato maior do relacionamento com o outro ser humano. Auto-suficiência muta-se em hostilidade.
O humanismo atingiu talvez seu ponto mais alto, quando os países reunidos, depois de terem sofrido os horrores da Segunda Guerra, subscreveram a Declaração dos Direitos do Homem. Artigo 1. Direito à vida.
Agora chega a um dos pontos mais baixos. Desprezo pela vida, do homem e do planeta.
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