Cinebiografia ou, na verdade, muito mais um “docudrama” a respeito da trajetória do estudante de Geologia, líder estudantil na UNB e membro da “Ação Popular”, Honestino Guimarães (1947-1973).
Honestino foi, sem dúvida, mais uma vítima da truculência e violência desmedida, praticada pelo fascismo à brasileira, empreendido, impiedosamente, pela Ditadura Militar brasileira.
Os chamados “anos de chumbo” (entre 1968 e 1976, sobretudo) do regime militar, deixaram marcas profundas na história da vida política e social de nosso país, fazendo inúmeras vítimas, dentre aqueles que tiveram a coragem e ousadia de enfrentar diretamente, seus abusos e injustiças, como foi o caso do jovem Honestino.
Quanto ao filme em questão, propriamente dito, dirigido pelo experiente documentarista Aurélio Michiles (“O Cineasta da Selva”, 1997), acerta, sobretudo, na utilização de rico material de arquivo fotográfico, relativo a Honestino e seus contemporâneos de vida e luta.
A participação do famoso ator televisivo Bruno Gagliasso (“Mariguella”, 2019), encenando algumas situações reais, vividas, décadas atrás, pelo biografado; é, porém, desnecessária e visa, claramente, funcionar como um chamariz ao grande público, em relação ao filme (documentário).
Merecem destaque, alguns depoimentos sobre o jovem líder estudantil brasiliense, por parte de seus parentes e companheiros de luta, tais como o oferecido pelo ex- deputado e ex- guerrilheiro José Genoíno.
Também é curiosa a passagem em que um dos entrevistados menciona, o papel decisivo que o famigerado político (ex- governador e prefeito de São Paulo) Mário Covas (1930-2001), então deputado federal pelo MDB, em 1969, teve no sentido de evitar a primeira tentativa de prisão do aguerrido líder estudantil (Honestino).
Fazendo um paralelo com o momento político vivido pelo Brasil contemporâneo, no qual o neofascismo à brasileira (saudosistas em relação à Ditadura Militar dos anos 60 e 70, aliás), está mais vivo do que nunca; a importância da realização de filmes como este que retratam, sem toques, o nefasto legado, deixado pelo regime militar, é mais do que fundamental para que, sobretudo as novas gerações, tenham consciência de bradar aos quatro ventos: “Fascismo e ditadura, nunca mais!” Realmente façam parte de nossa missão diária.
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