Análise “Faces” (1968)

Critica de Filmes

“Faces” (1968) é a prova de que, ao contrário do que disse o próprio John Cassavetes, é, sim, possível produzir uma obra de arte nos Estados Unidos, desde que você o faça com dinheiro do próprio bolso, é claro…

“Faces” é, sem a menor dúvida, um dos mais originais filmes já produzidos em toda a história do cinema e, ao lado de “Sombras”, um dos precursores do autêntico cinema independente.

Atuações viscerais de Gena Rowlands, Lynn Carlin e Seymor Cassel, associadas a um excepcional trabalho de montagem, eis os grandes trunfos do filme em questão.

A trama não necessariamente linear, parece utilizar o riso histérico de seus personagens, como forma de ocultar a melancolia e vazio existencial que na verdade os caracteriza. O áudio não é perfeito, pois foi captado por meio de microfones de lapela (coisa incomum na época), como forma de permitir a livre movimentação dos atores no set, aliás, como as marcações de cena não eram fixas, o próprio diretor (Cassavetes) tinha que ficar, o tempo todo, alterando o foco da câmera, pra assim permitir tal liberdade de circulação dos personagens pelo espaço cênico.

Em resumo, muitas celebridades hollywoodianas deveriam utilizar as condições privilegidas das quais desfrutam pra, assim como Cassavetes, tirarem o atual cinema norte-americano da mesmice absolutamente previsível que, salvo raras exceções, hoje o caracteriza. Mas o fato é que tais ídolos de barro não tem “colhões” pra isso…

Cassavetes tinha o CINEMA como razão maior de sua vida, mas, sem a menor dúvida, foi um caso único em meio à feira das vaidades e interesses pessoais que reina absoluta naquele universo…

O elenco também conta com John Marley, Fred Draper, Val Avery, Dorothy Gulliver

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