Análise do filme: “Jezebel”

Critica de Filmes

A força e a determinação de Julie Marsden, interpretada pela atriz Bette Davis em Jezebel (1938), são traços que refletem a própria persona da atriz – confiante e impetuosa.

A personagem foi muitas vezes chamada de a “Scarlett O’Hara” de Bette Davis, que jurava ter sido a primeira opção para a protagonista de “E O Vento Levou”. Verdade ou não, o certo é que o produtor e diretor David O. Selznick empreendeu uma longa campanha para encontrar a sua Scarlett para o filme – papel que ficou com Vivien Leigh. Na época, o frenesi foi tanto que o livro homônimo de Margaret Mitchell se tornou um best-seller antes mesmo de o filme ter sido rodado.

Já o produtor Jack Warner comprou os direitos da peça “Jezebel”, escrita por Owen Davis Sr. em 1933. Warner lançou o filme antes de “E o Vento Levou”, com direção do diretor alemão William Wyler e grande elenco.

O diretor era conhecido por seu perfeccionismo, habilidades técnicas e capacidade de contar histórias. Os longos takes e inúmeras tomadas também eram sua marca. Ele foi considerado a escolha certa para dirigir “Jezebel” por ter realizado várias adaptações de peças de teatro para o cinema.

William Wyler criou cenas realistas e extraiu o máximo de Davis para enfatizar a teimosia da aristocrata sulista Julie Marsden. Na verdade, a personagem é considerada pelas feministas como uma pioneira ao reivindicar sua autonomia e independência.

Em “Jezebel” podemos observar o não-conformismo de Julie diante do rígido protocolo social da comunidade em plena época pré-Guerra da Secessão na Luisiana. Conceitos como boas maneiras e berço são a norma. Mas Julie é uma quebradora de regras. Logo no início, ela chega a sua própria festa montada em um cavalo bravo. Chega cavalgando e não serena em uma carruagem. Não troca de traje e participa da festa com sua roupa de equitação.

Além disso, Julie bebe uísque – o que era destinado aos homens. As mulheres deveriam beber licor. Seu noivo, o banqueiro Preston Dillard, conhecido como Pres, interpretado impecavelmente por Henry Fonda, também é um quebrador de regras e nem ao menos comparece à festa – prefere se dedicar aos negócios.

Julie vai ao baile com um vestido vermelho, quando a regra era que as donzelas fossem de branco. Mais uma mostra de seu inconformismo, uma atitude que acaba deixando Pres desconfortável perante os outros. A partir daí, uma série de caprichos de Julie leva o casal ao afastamento e à posterior submissão da protagonista.

Julie ensaia uma redenção. Uma das cenas marcantes de “Jezebel” é aquela em que Julie, com um vestido branco, canta para os escravos. Eles parecem felizes, cantam e dançam. É interessante que a música desta cena é “Raise a Ruckus” um spiritual de afro-americanos que fala sobre escravos decididos a matar seus “donos”. A maioria da audiência, entretanto, não consegue interpretar seu duplo sentido      

A Febre Amarela, chamada de “yellow jack”, surge como pano de fundo do drama em “Jezebel”. O fato é que a epidemia atingiu seu auge em Nova Orleans no início do século XIX. Naquele tempo, a causa da doença era desconhecida e as pessoas acreditavam que a transmissão ocorria de pessoa para pessoa. Depois, descobriu-se que os vetores eram mosquitos, um deles o Aedes Egypti.

Bette Davis ganhou o Oscar de Melhor Atriz, por “Jezebel”, em 1939. Foi seu segundo Oscar. O primeiro foi por “Perigosa”, em 1936. Ela também foi indicada para esse prêmio nos quatro anos consecutivos com Vitória Amarga (1939), A Carta (1940), Pérfida (1941) e A Estranha Passageira (1942).  

“Jezebel” também foi indicado para o Oscar de Melhor Cinematografia para Ernest Haller, Melhor Música para Max Steiner e Melhor Filme. Fay Bainter ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Bette Davis – Julie Marsden

Henry Fonda – Preston Dillard

George Brent – Buck Cantrell

Margaret Lindsay – Amy Bradford Dillard

Donald Crisp – Dr. Livingstone

Fay Bainter – Aunt Belle Massey

Richard Cromwell -Ted Dillard

Henry O’Neill – General Theopholus Bogardus

Dirigido por William Wyler

Escrito por Owen Davis Sr.

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18 thoughts on “Análise do filme: “Jezebel”

  1. Parabéns pela análise, vi esse filme na época das videolocadoras, preciso rever, como vc disse segundo Oscar na carreira da atriz, fez história principalmente anos 30, 40 e 50 e deu UP na carreira nos anos 60, perfeito seu artigo

  2. Jezebel, assim como Vitória Amarga, trazem Bette Davis em atuações sublimes. Dramalhao do melhor que Hollywood produziu na época. Texto muito bem escrito e que desperta a vontade de assistir a esse clássico maravilhoso.

  3. Uma ótima crítica desse filme que penso ter sido um choque, na época! Que mulher ousada, hein?

    Parabéns pela crítica clara e objetiva! Obrigada

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